
Anteontem eu publiquei um texto sobre Mighty Final Fight: Forever. Para quem não leu: esse é um fangame de Final Fight (duh) feito pela Bouncer Games. E quem é a Bouncer Gamers? Para quem não leu (de novo): um estúdio tcheco formado pela dupla Daniel99j e RayN que atua com o OpenBOR. O que é OpenBOR? Ah, já expliquei vezes demais. Dá uma olhada aí pelo blog. Pois bem, naquele texto eu menciono que os dois tinham experiências passadas com a engine com a qual fizeram outro beat’em up, Head Hunters. No jogo você controla dois amigos, Hawk e Brad, que lutam contra uma organização criminosa que ameaça a cidade. A gente nunca viu uma trama dessas, né?
Faltava um dia mais ou menos para o lançamento de Mighty Final Fight: Forever e, como eu estava à toa, resolvi testar Head Hunters para conhecer um pouco o trabalho da Bouncer Games. Não quis deixar essa experiência passar em branco, então acho que cabe uma review rápida desse beat’em up para complementar o último texto.
Head Hunters está disponível no site da Bouncer Games, onde o descrevem como um jogo “inspirado nos jogos 8-bit de NES clássicos como Double Dragon 2 e Mighty Final Fight”. Mesmo que essa informação não fosse dada, não é muito difícil perceber que houve tal inspiração. Os gráficos até parecem ter sido tirados de algum jogo obscuro de um Nintendinho ou Master System, porém todos os sprites e cenários foram desenhados pelos Daniel99j enquanto o RayN cuidava da trilha sonora. Esse é para mim um dos pontos mais fortes de Head Hunters. A dupla conseguiu trazer uma atmosfera forte em duas camadas: a de dentro do jogo e a de se sentir jogando um beat’em up antigo.

Então obviamente que existe toda uma nostalgia na experiência de Head Hunters, ainda mais considerando as referências que o jogo adiciona. Em dado momento vocês irão notar um NPC no fundo de uma das fases que é muito similar a um certo protagonista de um certo beat’em up muito popular do final dos anos 80. Entretanto as homenagens vêm mais na parte dos filmes de artes marciais. Dentre os vilões do jogo você encontra personagens como o Chong Li de O Grande Dragão Branco e o Shang Tsung do filme de 1995 de Mortal Kombat. Mas a que esquentou o meu coração foi na terceira fase, prestes a chegar no chefão, quando aparece uma caixa de mensagem dizendo “Quem é o mestre?”.
Se você não conhecer essa referência, vá assitir O Último Dragão (1985) e adquirir um pouco de cultura!
Então tudo em Head Hunters evoca o espírito cultural dos anos 80 e 90, tanto nos jogos quanto no cinema. A jogabilidade não é uma exceção porque foca nos “princípios” estabelecidos em Double Dragon com uma até surpreendente variedade de golpes. Além dos clássicos agarrões e arremessos, ao segurar um inimigo você pode dar um gancho ou uma cabeçada dependendo do direcional que estiver segurando. Também você pode usar um chute baixo atacando com direcional para baixo, ou uma cotovelada com o direcional para trás.

Dá para afirmar que naquele período que o Daniel99j tinha um bom conhecimento dos fundamentos do gênero. Nota-se nos inimigos, não apenas os chefões, onde existe uma estratégia específica de como melhor lidar com cada um deles. Quais você não deve tentar agarrar, quais é melhor você desviar do ataque para deixá-los vulneráveis, etc. Porém ter noção dos fundamentos e executá-los é uma outra história. A jogabilidade é boa, não se enganem, só que Head Hunters é um beat’em up absurdamente sem ritmo.
O jogo exagera na quantidade de inimigos por bloco, deixando a gameplay lenta. As duas primeiras fases em particular parecem que nunca vão terminar. O ritmo melhora um pouco, mas ainda fica aquela sensação que o combate poderia ficar um pouco mais dinâmico se você não tivesse que enfrentar cinco ou dez capangas a cada três passos. E foi aqui que surgiu a minha teoria que levei para Mighty Final Fight: Forever que a Bouncer Games planeja seus jogos como experiências cooperativas. Em Head Hunters é mais evidente porque ele nem te deixa escolher qual personagem usar, um é definido para o primeiro jogador e o outro para o segundo. Então talvez a jogatina fique um pouco melhor se você conseguir alguém para fazer uma dupla contigo.

Apesar dessa última ressalva, eu gostei de Head Hunters. Se você procura um jogo“à moda antiga”, com certeza vai curtir esse. Acho que a Bouncer Games agora com o Mighty Final Fight: Forever conseguiu se consolidar como um nome digno de atenção dentro da comunidade de OpenBOR e de beat’em ups em geral. Eles já possuem um jogo no forno, mas por enquanto só temos o codinome de “Project Steve” e algumas imagens. Parece que será outro jogo original, ainda puxando a estética beat’em ups ali dos anos 90. Ficarei atento!
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