
Dado algumas afirmações recentes minhas, talvez tenha alguém por aí que ache que eu não sou muito chegado em Resident Evil. Realmente ela já não é mais uma franquia de survival horror que eu tenha muito interesse em acompanhar, porém é uma mera questão de preferência. Ainda assim eu tenho uma dívida com os jogos de Resident Evil porque foram eles que me fizeram ingressar no terror nos videogames até eu encontrar títulos melhores para me entreter.
Ok, parei com as piadinhas! Realmente foi com Resident Evil que eu comecei a me interessar por survival horror e depois em outros estilos de jogos de terror. Foi a famosa porta de entrada e eu acho que é um papel que a franquia desempenhou muito bem ao longo da sua história. Ainda que eu tenha minhas críticas a sua influência, como eu pontuei no texto de anteontem, Resident Evil tem seu espaço no meu coração.
Por isso resolvi fazer uma pequena lista com os cinco jogos de Resident Evil que eu mais gosto. Se algum de vocês chegaram a ver aquela minha lista dos JRPGs ou então aquela sobre filmes swashbucklers, talvez se lembrem que eu organizo essas coisas ou por ordem alfabética ou cronológica. Hoje não será o caso. Por conta de um título específico, eu acho que será muitíssimo divertido para mim se eu fizer esta lista por ordem crescente de preferência. Então aproveitem! *emoji de sorrisinho*
RESIDENT EVIL 7: BIOHAZARD (2017)

Financeiramente falando, Resident Evil sempre nadou de braçada. Dos dez jogos mais vendidos da Capcom, cinco deles são jogos de Resident Evil que venderam mais de dez milhões de unidades cada. Contudo, se for criativamente falando já podemos dizer que houve altos e baixos na franquia. Resident Evil 6 foi um desses baixos – sendo quase um consenso entre fãs e outros jogadores que essa é a ovelha negra da série principal – mas não dá para dizer que é inteiramente sua culpa. Resident Evil estava se afastando das suas raízes no survival horror e ação ficava cada vez mais dominante na sua jogabilidade.
Nesse sentido, Resident Evil 7 surge quase como uma “autocrítica” que tenta resgatar o espírito dos primeiros jogos ao mesmo tempo que abre novos caminhos para a série. Acho que é até um dos motivos de trazerem no subtítulo “Biohazard”, que é o nome original da franquia no Japão, para mostrar que esse é um recomeço criativo para os jogos de Resident Evil. A influência do cinema B volta com força total, com referências bem descaradas a clássicos como Evil Dead, O Massacre da Serra Elétrica, A Bruxa de Blair, entre outros. A atmosfera é mais claustrofóbica, com uma trama que se desenvolve num escopo menor e um protagonista mais vulnerável longe dos action heroes que o elenco de Resident Evil se tornou.
Portanto, há um mérito no esforço de tentar se distinguir da imagem que que Resident Evil 6 deixou anos antes. Porém eu não consigo colocar Resident Evil 7 tão alto assim na prateleira porque ele ainda me parece um jogo inconsistente na sua proposta. Ele coloca a ideia dos stalkers, que nem é tanta novidade assim na história da franquia e apenas replica algo que jogos como Amnesia: The Dark Descent, Outlast e Alien: Isolation também fizeram na época(e bem melhor).
Entretanto, Resident Evil 7 não aposta totalmente nesses inimigos e por isso eu nunca achei o segmento do Jack Baker grandes coisas. Ele te persegue apenas em áreas específicas e a parte da Marguerite é ainda mais fraca nesse quesito. Quando chegamos na sequência do navio naufragado, o jogo já nem tenta mais trazer outro stalker e deixa você contra os inimigos comuns apresentados previamente. Apesar dessas críticas, ainda o considero um bom e necessário restart para os jogos de Resident Evil. A Capcom só precisa ter um pouquinho mais de fé na proposta e não tentar equilibrá-la com elementos dos jogos anteriores para agradar todos os públicos.
Coisa que ela está fazendo com Requiem, mas deixa quieto!
RESIDENT EVIL 2 (1998)

A primeira fase de Resident Evil, que eu coloco de 1996 até 2004, é a minha favorita e talvez seja por isso que eu perdi o interesse na franquia nesses últimos anos. Para ser franco, eu estou muito mais interessado em ver o que o Zach Cregger vai fazer nesse próximo filme, mesmo com todo o péssimo histórico que Resident Evil tem no cinema, do que o Koshi Nakanishi vai fazer nesse novo jogo. Depois de dito tudo isso, não é nenhuma surpresa que o Resident Evil 2 seja um dos meus favoritos.
Entendo que o peso história de Resident Evil (1996) é bem maior que o da sua sequência. Foi ele que “inaugurou” o survival horror e ninguém tira esse mérito. Mas para mim quem solidificou o nome de Resident Evil foi o segundo jogo. Pessoal gosta de dizer que ele tem uma jogabilidade melhor, mas eu não vejo tanta diferença assim. A não ser se estivermos falando de como ele usa a ideia de dois protagonistas para fazer campanhas distintas em que as suas ações numa afetam a outra. Aí sim dá para dizer que Resident Evil 2 tem uma gameplay melhor e como mais valor de replay.
O que eu acho que o faz superar o seu antecessor é na apresentação. Claro que é uma questão muito subjetiva, porém eu considero Resident Evil 2 muito mais eficiente em colocar o jogador no meio de um pesadelo. Aliás, é a exata palavra que ele utiliza ao iniciar a campanha do Leon ou da Claire. Mas para exemplificar isso, basta ver a primeira aparição do licker.
O monstro passando pela janela, o corredor em silêncio com apenas o som das gotas de sangue caindo do teto, a escolha dos ângulos, a rápida cutscene. A atmosfera e a tensão que Resident Evil 2 são fenomenais. Além disso, é uma jogabilidade que já leva em consideração a sua experiência com o anterior para não te tratar feito um idiota, ao mesmo tempo que usa o contrário para surtir um efeito de pânico. Porque ele já te taca no meio do caos e se você for um jogador inexperiente você gasta toda sua munição de primeira no desespero.
A gente pode até criticar a dublagem, mas é um problema muitíssimo pequeno comparado a todas as outras qualidades do jogo. É o auge do Resident Evil clássico, que é até bem consistente em toda sua fase. O remake veio aí para agradar um público que é incapaz de descer algumas gerações, mas não se deixem levar pela ideia que Resident Evil 2 é um jogo ultrapassado. É só um discurso de gente que nunca tentou se engajar com uma mídia mais antiga de fato por ter sido domesticada pela nata do mainstream.
RESIDENT EVIL GAIDEN (2001)

Acho que Resident Evil Gaiden é um título que ninguém que conhece a franquia esperaria ver no terceiro lugar. Provavelmente nem mesmo imaginassem vê-lo em alguma lista, ainda mais considerando que eu deixei de fora outros jogos de Resident Evil como o Code Veronica e o Revelations. Honestamente, até eu mesmo me surpreendo com isso porque da primeira vez que eu o joguei também não clicou muito comigo. Contudo, com o passar dos anos, eu me vejo cada vez mais afeiçoado por ele.
De forma alguma eu acho que Resident Evil Gaiden seja um título subestimado da franquia. Não sou cego para alguns defeitos da sua jogabilidade, sobretudo em como os puzzles aqui se resumem a ir ao ponto A para pegar o item B que é necessário para abrir o caminho no ponto C. O que me atrai nele é que hoje o Gaiden representa um período em que esses grandes estúdios ainda experimentavam com suas franquias populares, seja com suas próprias equipes ou terceirizando o projeto. Nesse período dos anos 2000 tivemos muito disso com Resident Evil, produzindo jogos como Survivor, Outbreak e The Umbrella Chronicles que testaram experiências diferentes da linha principal.
Nos últimos anos, o que tivemos de experimentação com a franquia? O terrível Umbrella Corps e o ainda mais terrível Re:Verse, duas tentativas fracassadas de capitalizar em tendências do momento. Resident Evil Gaiden, mesmo com todos os seus defeitos, ainda tentou fazer algo diferente que não estivesse pautado pelo que os acionistas vêem no mercado. Digo mais, acho que até o criticam mais do que o necessário, porque apesar dos pesares ele ainda tem um sistema de combate distinto do restante da franquia que é no mínimo interessante de se ver acontecendo.
RESIDENT EVIL 4 (2005)

Pronto, depois de uma escolha inusitada tem uma bem segura para balancear: Resident Evil 4, o original e não o seu redundante – e por extensão desnecessário – remake. Meio que não tenho o que dizer desse jogo, né, afinal ele é o responsável pelo segunda onda dos survival horrors e também a ascensão do formato de tiro em terceira pessoa. Podemos discutir se esse último foi positivo ou não, tendo a achar que não, porém hoje não é dia para isso.
Resident Evil 4 de qualquer forma teria uma posição alta na minha lista porque ele é a minha porta de entrada em Resident Evil. Tecnicamente eu comecei com Resident Evil 3, bem lá na minha tenra pré-adolescência. Contudo, como eu era um grandíssimo cagão e o jogo ainda estava em japonês, eu dropei. Anos depois, por insistência de um colega do Ensino Médio, eu resolvi dar uma chance e gostei.
“Pô, Belmonteiro! Mas você não vai falar nada do jogo mesmo?”
De novo, o que eu poderia dizer? É o Resident Evil 4! Qualquer gamer ou pessoal normal sabe o impacto dele e provavelmente era o mais acessível até as pessoas se convencerem que ele precisava de remake. Mas beleza, eu tenho um comentário sim. Hoje eu gosto mais dele do que na época que o joguei por entendê-lo como um perfeito jogo do Shinji Mikami. Muito mais do que o primeiro foi. Quem conhece God Hand, o mais Mikami dos jogos do Mikami, olha para Resident Evil 4 e enxerga a assinatura dele, galhofando intencionalmente o jogo para torná-lo o mais filme B que a Capcom permitiria na época.
Então é isso. Não tem para que criar justificativas para um dos jogos de Resident Evil mais idolatrados. Mesmo que ele seja responsável pela guinada ao action horror que amaldiçoaria a franquia nas próximas sequências, continuo achando um jogo muito bom e com um tom que faz cada vez mais falta nessa epidemia de remakes em que vivemos.
RESIDENT EVIL (2002)

Depois de deixar tão evidente meu ranço pelos remakes dos jogos de Resident Evil, o primeiro lugar da minha lista vai justamente para um deles. Irônico, mas o que seríamos de nós sem nossas contradições? Fato é que desde que eu joguei Resident Evil (2002), é para ele que minha mente vai sempre que eu ouço falar o nome da franquia.
Eu costumava falar que eu adorava porque o considero melhor em todos os aspectos em relação ao original. Opinião que eu ainda sustento. Porém, num mundo em que executivos da Capcom acreditam que remakes são necessariamente experiências superiores (e infelizmente eu conheço gente demais que concorda com essa visão), eu vejo o problema em incentivar esse tipo de discurso. De qualquer forma, o remake de Resident Evil é um desses casos que eu gosto de jogar muito mais do que original.
O cenário da Mansão Spencer foi reconstruído de maneira fenomenal. Não digo nem apenas pela questão gráfica, mas também pela iluminação. Além disso, existem novos puzzles e mecânicas que expandem a experiência original e o jogo até usa essas memórias ao seu favor. Um dos sustos mais clássicos do Resident Evil de 1996 é o corredor em que os cachorros zumbis aparecem pela primeira vez pulando pela janela. No remake, por outro lado, quando você passa pelo mesmo corredor a primeira vez você só ouve um impacto no vidro. Isso abaixa sua guarda e te faz acreditar que nessa versão eles não aparecem. Aí quando você decide passar por ali de novo…
Então daria para ficar listando tudo que eu mais gosto no remake, mas acho que é esse ponto que tem mais peso. Não é porque o Resident Evil de 2002 me deu uma experiência “atualizada” que o considero tão bom. É porque ele me deu uma experiência nova. Algo que dá para argumentar sobre os outros remakes – exceto o novamente redundante e desnecessário Resident Evil 4 – porém neles eu sinto que a intenção era exatamente essa de atualizar os jogos para os moldes modernos. Então fica aí o registro que tem pelo menos um remake nesse mundo que eu passo pano.
MENÇÃO HONROSA: TORMENTED SOULS (2021)

Não seria uma lista minha se eu não desse algum jeito de trapacear, certo? Portanto vou tomar a oportunidade de mais uma vez recomendar Tormented Souls, survival horror indie que tomou muitas inspirações em Resident Evil e Silent Hill. Também vou aproveitar para recomendar o texto que escrevi sobre ele.
O motivo de eu falar em Tormented Souls foi toda essa conversa que tivemos agora sobre os remakes dos jogos de Resident Evil. Parte do ranço que eu tenho por esses últimos – o 2, 3 e 4 – é porque eles funcionam para o apagamento da jogabilidade clássica da franquia. Muitos dizem que os remakes não substituem o original, que sempre estarão ali, mas quando o assunto é videogame a história é diferente. Porque o gamer médio vê isso como uma prova que os antigos estão ultrapassados e o formato dos atuais são uma espécie de “evolução natural”.
Então quando surge um jogo como Tormented Souls que não apenas resgata a jogabilidade desses jogos de Resident Evil, mas também mostra como ela funciona perfeitamente nos dias de hoje, eu fico bem feliz. Fora que é um jogo muito bom por si só. Em matéria de puzzles nem se fala, aquele do disquete segue como um dos meus favoritos de todos os tempos porque ele é simples e sagaz. Para quem adora a primeira fase de Resident Evil, Tormented Souls foi um presente caído dos céus.
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