
Cá estava eu pensando em quanto tempo levaria pra surgir o primeiro BO da Semana de 2026. Como ele não tem compromisso em ser semanal – e menos ainda de ser uma treta daquela semana – tenho bastante flexibilidade para gerar conteúdo para aquele quadro. Contudo, ainda não aconteceu nenhum fato específico que eu tenha interesse ou me sinta apto de abordar aqui no blog. Por outro lado, existe o Belmonteiro’s Log onde eu ainda me dou mais liberdade sobre o que posso comentar, sem qualquer pretensão de trazer um debate minimamente propositivo. Portanto, hoje não trago uma reflexão, não trago informação, nada. Só estou a fim de extravasar mais um dos meus muitos incômodos na cultura da internet..
Pois bem, já tem um tempo que eu vendo prestando uma atenção particular, e um tanto desnecessária, a um tipo de comentário. Ele sempre esteve presente, mas esses dias ocorreram dois casos consecutivos nos meus arredores que me deixaram mais inclinado a falar a respeito. Eu já tive esse impulso no final do ano passado quando os fãs de Clair Obscur: Expedition 33 ficaram muito chorosos (e sonsos) quando o joguinho deles começou a receber “hate” supostamente do nada lá no Twitter. Como eu já tinha pensado em fazer aquele texto da “defesa Chiquinha” dos JRPGs, não quis gastar dois temas com o mesmo exemplo.
Mas eu sabia que era só questão de esperar pelo próximo caso porque, assim como Expedition 33, esses comentários não são nenhuma novidade e nem se limitam à comunidade gamer. Ok, mas do que exatamente eu estou falando? Ou melhor, de quem eu estou falando? Vira e mexe quando tem alguém dando uma opinião negativa sobre uma coisa – não vou entrar no mérito se é um criticismo válido ou chulo – surge alguém chateadíssimo com essa opinião. Tudo bem, é do jogo. Porém essa pessoa não apenas reclama da reclamação, ela acrescenta como mais uma vez o Twitter passou a odiar algo só porque se tornou popular.
Esse tipo de comentário se estende para qualquer área da cultura pop e esteve sempre presente no discurso público. Porém eu passei a ficar mais atento conforme eu via mais gente repetir o meme de uma review do site favorito dos desempregados sobre Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo. Que, aliás, eu gosto bastante e dou risada de algumas críticas meio bobas que ele recebeu. Porém reconheço que a fanbase não ajudou muito, sobretudo durante o Oscar, em trazer qualquer boa vontade para com o filme. Semelhante a fanbase de um certo AA que posou de indie por aí… É por isso que eu acho esse papinho daquele meme algo meio bosta. Mais do que isso, se você pensa desse jeito eu acho que seu problema é que você é covarde.
Ok, entendo que eu também não estou convidando ninguém a ter alguma boa vontade para com o meu texto assim. Reconheço minhas hipocrisias. Eu também nem conheço você. Nem mesmo sei se você que está lendo é o você de quem eu estou falando. Mas se você for você, você é um covarde mesmo!
Vou dar o braço um pouquinho a torcer e admitir que essa mentalidade do meme se baseia em algumas coisas parcialmente verídicas. Tem duas principais e ambas exigem o contexto apropriado. Acho que todo mundo aqui já conheceu alguém que tem síndrome de diferentão. Se você em algum momento frequentou comunidades de videogames, animes, filmes, etc., você já viu uma meia dúzia desses gatos pingados desesperados por migalhas de reconhecimento pelo seu Bom Gosto™ da cultura. Aqui está o ponto fundamental: essa turma não enche nem uma kombi. Eles existem, porém não aos montes. Estão espalhados por aí e são piada até dentro dos seus próprios círculos.
Há também de se levar em conta que o Twitter realmente é um espaço de ódio gratuito. É a versão moderna do coliseu onde pessoas se digladiam pelo entretenimento de uma audiência sádica. Um dia estamos na arena, no outro estamos na plateia. Temos incontáveis exemplos na história dessa maldita plataforma. O meu favorito é o rapaz que postou um vídeo fazendo uma lasanha ao som de Djavan e despertou os instintos mais primitivos do twitteiro médio. Então não dá pra descartar que vai ter um bestão por lá odiando as coisas por odiar.
Portanto, pela possibilidade dessas duas figuras realmente existirem, os covardes – e novamente eu preciso que você entenda que você é covarde – se sentem tão confortáveis para classificar qualquer crítica negativa como fruto de um ódio gratuito. Ainda mais que agora o passatempo favorito do twitteiro médio agora é caçar os performáticos. Falou mal da série que estava todo mundo acompanhando? Performático! Marcou 1 estrela num filme aclamado lá no site dos desempregados? Performático! Não acha Red Dead Redemption 2 essa Coca-Cola toda?

Mais uma vez eu reconheço que esse indivíduo pode existir, até porque as redes sociais recompensam alguns comportamentos. É muito mais fácil viralizar falando mal de algo do que bem, logo tem muita gente que se aproveita disso pra conseguir engajamento. Porém outras pessoas apenas dão o azar de uma postagem despretensiosa cair na roda do algoritmo. Tem um colega meu que está nesse momento passando uma dor de cabeça (outra vez) com os fãs de One Piece – uma das maiores máfias da atualidade – só porque ele tem críticas à forma do live action. Tem outro que já deve ser o segundo ou terceiro dia que recebe uns comentários num tweet dele porque ele não gosta de Dispatch. Eu já recebi a minha dose de comentários por tudo que eu já falei sobre o estúdio de Expedition 33 e seus fãs.
Não sei se eles receberam a alcunha de performático, mas pelo menos um deles e eu já recebemos o tratamento do “odeia só porque é popular” de algum covarde aleatório que chegou nos nossos perfis. Fica engraçado pra mim porque eu sei porque cada um deles tem essas opiniões e vice-versa. Eu convivo com eles na internet e eles têm que conviver comigo também. Logo, até mesmo quando temos as nossas discordâncias um não vai pentelhar o outro porque a gente se entende. Contudo, as outras pessoas que caem de paraquedas ali apenas enxergam um comentário negativo de algo popular e pensam que eles estão falando isso pelo ragebait, pelo engajamento, pela performance…
O foda é que parece que a gente precisa destacar o óbvio nessas situações. As pessoas se iludem que algo é universalmente amado porque estão presas numa pequena bolha de consumidores iniciais. Quando a obra fura essa bolha e passa a atingir um público bem mais amplo é evidente que isso aumentará também a quantidade de opiniões divergentes e não tem nada que um fã não saiba lidar menos do que com uma opinião divergente.
É por isso que eu digo que você, você aí, o cara que espuma por causa disso, é um tremendo de um covarde. O que acontece é que você é incapaz de sustentar seus gostos por si próprio. Não falo nem em argumentos, porque pra mim quem fica argumentando no Twitter deveria estar na cadeia. Você não consegue gostar de algo só por você mesmo, você quer a aprovação coletiva pro seu Bom Gosto™. Então precisa acreditar que existe um consenso da opinião pública e que ele convenientemente está de acordo com você. Você nem mesmo consegue confrontar esses comentários pelo que eles dizem, por isso tem que jogar tudo no grande balaio do “hate do Twitter”.
De novo, não acho que quem faz isso é porque é burro, é apenas covarde. A pessoa morre de medo de ouvir uma opinião diferente só porque ela faz você contesta as suas próprias nem que seja por um segundo. No final das contas, esse aí é o verdadeiro performático porque é ele que mais se preocupa em manter a aparência que tudo que ele gosta é bom e quem não gosta é um metafórico cult que gosta do metafórico filme/jogo/série iraniano em preto e branco!
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