A franquia de Resident Evil não é absoluta

Imagem do clipe "Eu Sou Stefhany" que viralizou em 2008 editado com a logo da franquia de Resident Evil no rosto da cantora Stefhany Absoluta

A franquia de Resident Evil carece de qualquer apresentação. Ela é apenas a maior série de jogos de terror da atualidade, conseguindo se manter culturalmente relevante por mais de 30 anos. Seus fãs nunca passaram mais do que dois anos sem um novo título, fosse ele da linha principal, spin-off ou remake. Até mesmo uma port da trilogia clássica para computadores modernos eles receberam, cortesia de uma colaboração entre a GOG e a Capcom. Logo, são poucas as fanbases na comunidade gamer que estão tão bem alimentadas quanto a de Resident Evil.

Talvez seja por esse motivo que ela se transformou num antro das crianças mais mimadas e birrentas da comunidade gamer. Pessoas tão escandalosas que acham que um diretor de cinema está sendo desrespeitoso com os fãs só porque não fez jus a idealização que fizeram dessa franquia.

Meses atrás eu publiquei aqui no blog Em busca do ‘Final Fantasy de Verdade’. Neste texto eu descrevo uma crise que alguns fãs de Final Fantasy passam na atualidade. Ele olha para a sua franquia, vendo que ela comporta um Final Fantasy VI, um Final Fantasy Tatics, um Dirge of Cerberus e um Chocobo’s Mysterious Dungeon, e mesmo assim se convence que existe uma fórmula correta que define o que é Final Fantasy. Fórmula esta que, supostamente, os jogos atuais deixaram de seguir.

O fã de Resident Evil às vezes passa por uma crise parecida. Vamos lembrar que durante o lançamento de Resident Evil 7 havia dezenas, centenas, milhares daquelas crianças birrentas esperneando queele não era um “Resident Evil de Verdade”. Contudo eu não acho que isso aconteceu apenas por uma questão de jogabilidade. Tenho para mim que isso também se deve ao fato do jogo não trazer nenhum dos personagens (e monstros) mais conhecidos da franquia.

Portanto, considero que problema do dito fã de Resident Evil é que ele olha para sua franquia e se convence que ela é absoluta. Ou seja, que existe uma unidade coesa que conecta todos os jogos. Apesar de serem casos distintos, as duas fanbases partem do mesmo problema que é um entendimento muito superficial das franquias que eles supostamente amam, se apegando a símbolos, objetos e nomes que julgam compor os pilares que sustentam os jogos.

Ok, mas por que eu estou trazendo essa pauta de novo? Estamos há poucos dias do que já se mostrou divisivo Resident Evil (2026), próximo filme do diretor de terror em ascensão Zach Cregger (Noites Brutais, A Hora do Mal). Esse não é um filme que existe no vácuo, é a oitava produção live action baseada na franquia de Resident Evil para os cinemas. Não só isso, o filme também é o segundo reboot que tivemos nesta década, terceiro se considerarmos a série de 2022. Pois bem, dependendo de quem você perguntar, as expectativas podem ser positivas ou terrivelmente negativas.

Acontece que o fã de Resident Evil é um tico traumatizado com esse lance de adaptação live action. A maioria deles tem uma verdadeira ojeriza pelos filmes do Paul W. S. Anderson, produzidos entre 2002 e 2016, que tiveram como protagonista uma personagem original, Alice, vivida pela Milla Jovovich. A principal questão para eles é como esses filmes divergiram muito dos jogos. Alguns personagens e monstros aparecem, mas são dois universos bem diferentes de si. Isso incomoda muito o fã, em especial o fã de Resident Evil, porque eles costumam acreditar que a fidelidade ao material original é o que define qualidade.

Milla Jovavich como Alice, protagonista dos primeiros filmes live action da franquia de Resident Evil

É uma crença tão arraigada neles que até precisam fingir que o problema de algo como Bem-Vindo a Raccoon City, dirigido pelo Johannes Roberts, foi de “não ser fiel o bastante”. O que é bastante engraçado já que esse filme foi feito exatamente como uma grande checklist do que o fã julga necessário para ter o lendário Bom Filme de Resident Evil™: trama dos dois primeiros jogos, praticamente todo o elenco principal, monstros e dúzias de referência. Eu lembro bem de como tinha fã cravando que o filme seria bom só porque no trailer um zumbi escrevia “Itchy, tasty” num vidro.

Mas aí quando Bem-Vindo a Raccoon City saiu e se mostrou uma belíssima de uma bosta e desculpa foi que ele não adaptou os eventos direito, que mudou a personalidade dos personagens, etc. Em suma, não respeitou a idealização que o fã tem com os jogos da franquia de Resident Evil. Portanto, a fidelidade é uma carta que todo fã puxa sempre para tentar justificar porque os filmes de Resident Evil falharam e também porque o próximo também irá falhar. Inclusive eu já estou até me preparando para ouvir o argumento que eles irão usar se o filme do Zach Cregger for um sucesso. Vai ser a mesma história que aconteceu com Resident Evil 7 lá atrás de reconhecer que é um bom filme de terror, porém não é um Bom Filme de Resident Evil™.

Eu já não me lembro a data exata em que saiu o primeiro trailer de Resident Evil (2026), mas desde então acompanhar a divulgação do filme tem sido um saco. Para mim, para alguns dos meus seguidores e principalmente para o Zach Cregger. Há meses que os fãs ficam de pirraça não só com o filme, mas também com toda entrevista que o diretor dá. Já o chamaram incontáveis vezes de “larper” – porque esse é o nível de discussão dentro dessa comunidade – e afirmam constantemente que ele está “desrespeitando o material original”.

Felizmente isso não é um consenso. Eu sei muito bem que a fanbase é heterogênea e que existem fãs empolgados com o filme. Contudo não é a eles a quem me refiro e sim a massa ignorante que vejo toda semana repetindo os mesmos discursos vazios (e desonestos) à exaustão. Quem me acompanha no Twitter já deve ter visto alguns desses exemplos porque eu estou numa guerra declarada contra os fãs de Resident Evil que, com todo respeito, passei a acreditar que são iletrados.

Eu não espero que essas pessoas saibam coisas como tradução intersemiótica ou teoria da adaptação. Até porque seria muita hipocrisia da minha parte, pois eu mesmo não conheço mais do que o básico do que esses conceitos. O que eu entendo é o suficiente para não me fazer passar vergonha na internet, espumando de raiva porque Fatal Frame: The Movie (2014) não adaptou nenhum dos jogos. Aliás, esse é um bom exemplo para usar nessa discussão pois Fatal Frame é minha franquia favorita e eu também adoro a adaptação. O que eu mais admiro nesse filme, que tecnicamente é uma adaptação de um romance produzido em conjunto com o longa, é como ele consegue atingir a essência da franquia sem se preocupar em replicar seus signos da forma que se manifestam nos jogos.

O que me fez achar que os fãs de Resident Evil, novamente com todo respeito, são iletrados foram as diversas demonstrações de ignorância com que me deparei nos últimos tempos. Não apenas de interpretação de texto como também da compreensão da própria franquia de Resident Evil que eles deveriam ser fãs.

Todos os protagonistas - Jill, Leon, Claire, Rebecca e Chris - da animação de Resident Evil: Ilha da Morte

O Zach Cregger, desde suas primeiras entrevistas, sempre foi muito franco e claro sobre quais eram suas intenções com seu filme. Um dos comentários que eu guardei foi quando ele falou que queria contar uma história que pudesse se passar em paralelo aos eventos de Resident Evil 2. O que o Cregger quis dizer com isso? Que o que ele queria mostrar é um personagem vivenciando os horrores da epidemia de Raccoon City bem no seu começo e tentando escapar daquele pesadelo. E o que foi que o fã entendeu? Que o filme se passaria literalmente no mesmo universo que o jogo! Por causa disso começaram a pirar com o fato do filme não se passar em 1998 e por estar nevando em Raccoon City.

Aí, só porque o diretor não colocou os bonequinhos que essas crianças queriam ver no filme, começou uma campanha de interpretar tudo que ele falava não na má, mas sim na pior vontade possível. Mais do que isso, os fãs entraram num cinismo forçado de dizer que o filme não tinha nada a ver com os jogos da franquia. Pelo visto colocar um personagem com recursos limitados tentando SOBREVIVER AO HORROR criado por um vírus que causa mutação nas pessoas não pode ser considerado Resident Evil se o nome do personagem não for Leon Scott Kennedy e se ele não é atacado por um Licker em algum momento. Não é como se tivéssemos dois jogos chamados Outbreak (2003) e Outbreak: File 2 (2004) que exploram essa premissa, né?

Existe um meme, que cada vez se mostra menos uma piada e mais uma realidade, que os fãs de Resident Evil não jogam e apenas lêem as as páginas de Wiki. Assim não é estranho ver que um filme que se preze muito mais em transmitir a sensação de jogar Resident Evil seja tratado com tamanha animosidade. Para esse fã, o que há de mais importante na franquia é a tal da lore. Logo, o que ele quer ver é uma mimese, uma recriação da realidade dos jogos no cinema. Precisa ter a Jill, o Chris, a delegacia de Raccoon City, a Mansão Spencer, o Tyrant, o Crimson Head, etc. Ele precisa ver todos os dados que gastou tempo demais gravando. E notem, gravando e não interpretando!

É por tentar ser apenas uma enciclopédia da franquia de Resident Evil que o fã não consegue produzir uma leitura mais profunda a respeito da mesma. Quando você se importa mais em saber qual é a razão para o Mr. X ter um casaco em vez de entender o papel que ele desempenha naquele jogo, não dá para ter qualquer discussão proveitosa contigo. Vira apenas uma questão de reconhecer objetos e não de tentar compreendê-los dentro daquele mundo. Assim eles se limitam a elencar fatos históricos de um universo que não existe como substituto para qualquer argumento.

Em mais um desses episódios de má vontade com o filme do Zach Cregger, eu tive que ver os autoproclamados maiores fãs de Resident Evil encrencando com falas tiradas de contextos e que eles nem tentaram interpretar direito. Se é que são capazes disso. O diretor falou de como ele estava tentando manter o filme “o mais pé no chão possível” e o que as pessoas tiraram disso é que ele queria deixar o filme mais realista. Entendem porque, outra vez com todo respeito, eu acho que esses fãs só podem ser iletrados?

Esse “o mais pé no chão possível” era apenas um comentário sobre o escopo do filme. A Constantin Film não é a Marvel Studios. Mesmo que esse seja o filme mais caro da franquia até o momento, o Cregger não tem carta branca para botar tudo que gostaria no filme e precisou fazer escolhas. Escolhas que sempre levarão a renúncias. Em vez de trazer os elementos mais fantásticos de Resident Evil, ele decidiu focar nas mutações que o vírus causa e assim consegue tirar o melhor proveito do orçamento que ele tem disponível.

Mas o fã quer entender isso? Não! Ele prefere bater o pézinho no chão e exigir que o filme traga coisas como as cinco formas diferentes do William Birkin, o Nemesis, os Lickers, os Hunters, os Cerberus, etc. Porque ele passou muito tempo decorando esses nomes e é assim que ele se sente validado como um fã. Senão, como ele vai ter o prazer de cutucar o amiguinho do lado para dizer “Olha! Olha! É o Grave Digger, cara! Ele é do Resident Evil 3!”?

O pior não é apenas essa ericoborguice tacanha que eles acreditam que traz qualidade para uma obra. O pior é essa tentativa de transformar o desejo de fanservice como críticas válidas que não se sustentam quando você olha para a franquia na sua totalidade.

"Itchy, tasty" uma referência a uma frase do primeiro jogo da franquia de Resident Evil que aparece no filme Bem-Vindo a Raccoon City

Vamos considerar esse “argumento” de que o filme não está trazendo nenhum dos monstros clássicos porque, aparentemente, zumbis não contam mais. Aí eu pergunto: e Resident Evil 4 (2004)? A gente fala pouco como esse jogo foi uma grande quebra de paradigma para a franquia. A história começa com a Umbrella estando extinta há anos, com um rol completamente novo de monstros e colocando a ameaça biológica como um parasita e não um vírus. Fora o tom muito mais caricato que Resident Evil 4 faz com seu pastiche de terror, ficção científica e, sobretudo, ação. Ele deixou de ser um Resident Evil só por não usar os símbolos mais comuns da franquia até aquele momento? Não! E isso o tornou um jogo muito mais interessante dentro do que já estava consolidado.

“Ah, mas tinha o Leon!”, alguém pode dizer. Só que até ele é uma mudança, pois não é o mesmo Leon de Resident Evil 2. Não falo nem de um Leon mais velho, digo um personagem bem diferente. Ou esse mesmo alguém pretende pegar na minha mão, me olhar nos olhos, fazer um amor gostoso comigo e depois tentar me convencer que aquele policial novato é o mesmo action hero que agora sai por aí dando suplex e desviando de raio laser com cambalhotas?

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez… O que é isso? Nada demais! Eu só estou dando tempo para o fã de Resident Evil abrir a página do perfil do Leon e ler sua biografia. Daqui a pouco ele chega correndo para dizer que no intervalo da história de Resident Evil 2 para Resident Evil 4 o Leon foi foi recrutado e treinado por uma agência militar dos Estados Unidos para combater a Umbrella. Por isso que agora ele é capaz de fazer tantas acrobacias e tem um joelhinho de aço que aguenta qualquer queda!

Só que a verdade é muito mais simples e mostra como essas franquias que se estendem por diferentes títulos e eras funcionam. Resident Evil 2 foi dirigido pelo Hideki Kamiya, Resident Evil 4 foi dirigido pelo Shinji Mikami. Ponto! O Kamiya criou o Leon de um jeito e o o Mikami resolveu representá-lo de outro. Não há em Resident Evil essa consistência que os fãs gostam de acreditar que existe porque não existe um único impulso criativo empurrando a franquia. São diferentes artistas, em diferentes momentos, com diferentes intenções.

Quer outro exemplo? Claire Redfield! Em Resident Evil 2 ela é apenas uma jovem universitária que gosta de motocicletas e vai para Raccoon City à procura do seu irmão. Em Code Veronica (2000), que se passa apenas alguns meses depois de Resident Evil 2, essa mesma universitária está em Paris se infiltrando num dos laboratórios da Umbrella como se fosse uma grande espiã. Você até pode achar que é a mesma personagem, afinal tem o mesmo nome e um design parecido, porém essa não é a Claire do Kamiya. É a Claire do Hiroki Kato. Tal como a Claire que aparece em Resident Evil: Degeneration (2008) não é nenhuma dessas duas, mas sim uma terceira interpretação criada pelo Makoto Kamiya. Se você não tem consistência numa única unidade de personagem, quem dirá numa franquia com uns 30 jogos diferentes?

Por estar apenas consumindo informação de maneira indiscriminada, o fã não se dá conta de que a franquia de Resident Evil não é esse enorme universo todo intrincado em que todos os pontos se amarram perfeitamente. É só uma imensa colcha de retalhos que a Capcom está cosendo desde 1996. E ela vai e volta conforme for mais conveniente no momento.

Cena final de Resident Evil Gaiden mostrando que o Leon é o B.O.W. escondido, enquanto o verdadeiro pode estar morto ou desaparecido

Em 2001, a Capcom terceirizou o desenvolvimento de Resident Evil Gaiden para outro estúdio e que contou com uma trama escrita pelo supracitado Hiroki Kato. Porém o final do jogo deixa implícito que o Leon é na verdade uma arma biológica que tomou a forma dele. Isso criaria um grande problema quando três anos depois Resident Evil 4 fez todo o sucesso que fez tendo o Leon como protagonista. Então a Capcom usou aquelas palavrinhas mágicas de dizer que “não é canônico” e agora o fã podia dormir tranquilo achando que a linha do tempo seguia inalterada e sem contradições. É por isso que não dá para se prender a um imaginário da franquia de Resident Evil porque ele não é estático. Até mesmo dentro desse conceito besta de cânon.

Enquanto eu revisava o texto eu percebi um detalhe que me fez rir. Sabe o jogo original de 1996? Ele tem sete finais diferentes. Sabe qual desses finais é canônico? Nenhum! Deve ser porque agora o que vale é o remake de 2002, certo? Ok, então vamos considerar o remake. Coincidentemente ele também tem sete finais e sabe qual é o canônico? Nenhum também! Não existe nas duas versões um final em que os quatro personagens principais – Jill, Barry, Rebecca e Chris – sobrevivem juntos. Ou seja, para essa linha do tempo de Resident Evil existir você tem que desconsiderar O PRIMEIRO JOGO QUE DEU INÍCIO A ESSA FRANQUIA!

Eu até pretendia criar toda uma argumentação citando jogos como The Umbrella Chronicles (2007) e The Darkside Chronicles (2009) que reimaginam cenários de títulos anteriores. Pensei em falar como podemos interpretar os dois jogos de Outbreak podem existir simultaneamente ou de forma independente. Queria também citar o caso de Resident Evil Survivor 2 – Code: Veronica (2001) que usa a desculpa de ser tudo um sonho para também reimaginar outro jogo. Ia falar de Resident Evil Zero (2002) que adiciona novas informações retroativamente. Também comentaria de Deam Aim (2003) que apenas existe sem qualquer impacto para a linha do tempo.

Mas depois dessa última constatação, é necessário falar mais algo? Nem mesmo a origem de Resident Evil consegue ser consistente com tudo que veio depois.

A franquia de Resident Evil está o tempo todo passando por expansões, revisões, cortes, retrocontinuações, versões alternativas de eventos já estabelecidos, etc. Ela não é absoluta e menos ainda coesa. Resident Evil é uma sequência de produções que passam por pessoas diferentes, em épocas diferentes e que tomam mais ou menos liberdades para reformular personagens e eventos para funcionar dentro da sua própria história. Elas se complementam, elas se anulam, elas se ignoram, elas se contradizem. Elas fazem aquilo que bem entendem para existir. Por isso é tão ridículo ficar pilhado com um diretor só porque ele está dando a sua própria interpretação de um universo que não tem forma.

Então você, fã, pode continuar lendo suas páginas de Wiki esperando encontrar uma unidade coesa. Vai lá! Acredite que a franquia de Resident Evil é absoluta e tudo possui um único significado, uma única interpretação. Quem sabe um dia você consegue se enganar que gosta mesmo desses jogos. Porque o que parece é que você gosta mais de ficar gravando fatos históricos de uma realidade imaginária. Para quê? Só para dar a resposta de uma pergunta que ninguém fez como se fosse alguma autoridade? Algo que só vai te levar a mais frustração, pois nem mesmo a franquia está a par da idealização que você criou dela.

Enquanto faz isso eu vou lá conferir o que um universo de possibilidades criativas infinitas numa franquia multimídia nos permite ter. Depois a gente compara para ver quem é que está se divertindo mais!

Bryan, protagonista de Resident Evil (2026), interpretado por Austin Abrams

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