Jogospectiva 2025: não tem Silksong, Hades II e nem Clair Obscur

Na imagem há 6 jogos. Da esquerda para direita: Hollow Knight Silksong (em preto e branco), Record of Lodoss War-Deedlit in Wonder Labyrinth, Hades II (em preto e branco), Wizard of Legend, Clair Obscur: Expedition 33 (em preto e branco) e Lufia 2: Rise of the Sinistrals. Sobre as imagens se encontra o letreiro Jogospectativa 2025

O ano está terminando, então é hora da única retrospectiva que importa: a minha. Brincadeiras (ou não) à parte, bem-vindos a Jogospectiva 2025!

Mantendo a tradição de fim de ano, trago a vocês mais uma Jogospectiva. O Backlogger ainda é um site humilde (ao contrário do seu dono), mas sempre tem uma cara nova pintando por aqui. Portanto, se você é uma delas, vou me explicar mais uma vez: Jogospectiva é uma lista que eu solto sempre em dezembro reunindo meus jogos preferidos daquele respectivo ano e que quase sempre não são daquele respectivo ano. Eu costumo escolher entre 15 até 25 títulos, considerando apenas aqueles que eu não zerei anteriormente e mantendo apenas um por franquia se eu tiver jogado as sequências.

Talvez você esteja se perguntando por que eu senti a necessidade de falar que a lista desse ano não terá coisas como Silksong, Hades II e Clair Obscur. Ora, foi pra pagar de diferentão reforçar como eu dificilmente jogo lançamentos. Esse ano até teve Hell Clock, porém, ao contrário da maioria eu não curti. Ah! Teve Captain Blood também, né? O fato de eu não lembrar desse jogo já indica minha opinião sobre ele. O subtítulo também serve como uma piadinha com o que sei que as pessoas iriam esperar que tivesse numa retrospectiva. Talvez ano que vem o Silksong ou o Hades II apareçam, mas não garanto nada.

Foi um pouco difícil de fazer a Jogospectiva 2025. Foi um pouco difícil jogar esse ano. Teve um longo período ali na metade de 2025 que eu não consegui me dedicar muito a esse hobby e suspeito que em 2026 terei algo parecido. Coisas da vida adulta. Só espero que consiga sair do eixo de PC que foi tão predominante tanto nesse ano quanto no anterior. De qualquer forma, ainda deu para fechar uma lista com bastante coisa diferente para recomendar. Então não vamos mais perder tempo e falar de joguinhos!

JOGOSPECTIVA 2025

WIZARD OF LEGEND – ROGUELIKE – 2018

A imagem mostra uma batalha do roguelike Wizard of Legend. Dois magos atacam soldados reanimados com magias de fogo e raio
O mais próximo que estivemos de um jogo pica de Avatar

Não queria abrir a Jogospectiva 2025 com esse jogo, pois eu me auto intitulo o “inimigo #1 dos roguelikes”. Um gênero perverso que só trouxe choro e ranger de dentes para os videogames. Mas, infelizmente, eu gostei bastante de Wizard of Legend. Ok, preciso ser mais específico. Eu gostei bastante do COMBATE de Wizard of Legend. Com todas as críticas que eu tenho a esse gênero criminoso dos roguelikes e suas mecânicas, tem que ser muito implicante para não achar essa jogabilidade uma deliciosa porradaria mágica.

Vou simplificar porque a ideia é manter cada descrição rápida: em Wizard of Legend você controla um mago que precisa passar por uma série de testes. Você tem diferentes Arcanas a sua disposição que pode combinar para construir os mais diversos combos mágicos. O elemento de cada magia também é preciso ser levado em consideração, pois cada chefão tem uma vantagem e uma desvantagem elemental.

Apesar de ainda ser um jogo que você precisa depender de um pouco de sorte, o fato de terem tantas magias e tantas possibilidades de combos é o que torna Wizard of Legend um joguinho tão especial, ainda que seja um roguelike. Tem uma sequência que foi lançada neste ano que eu não joguei e pela recepção do público não me senti tão motivado a conferi-la. Mas o primeiro tem meu selo de aprovação (se isso serve de alguma coisa).

LACUNA – AVENTURA – 2021

Screenshot do jogo de aventura noir sci-fi Lacuna
“Beat it, toots! These streets ain’t what they used to be…”

Não é nenhuma surpresa que um jogo como Lacuna tenha entrado para a Jogospectiva 2025. Com exceção da parte sci-fi, o jogo reúne várias coisas que eu gosto: atmosfera noir, foco narrativo, vista lateral e pixel art. Além disso, desde Sherlock Holmes: Crimes & Punishments eu desenvolvi um fraco por qualquer jogo que vá por uma linha de investigação criminal.

Na história de Lacuna você controla o agente Neil Conrad que é chamado para investigar o assassinato de um importante diplomata do sistema solar. Como podem imaginar, isso logo se transforma numa conspiração muito mais complexa com proporções intergalácticas. A jogabilidade se resume na interação com NPCs e objetos do cenário para obter informações que serão utilizadas para preencher o relatório de cada capítulo, que é de onde deriva o título de Lacuna. As suas escolhas afetam o rumo da história, bem como as informações que você obterá.

Pra quem gosta desse enfoque narrativo, Lacuna é um prato cheio. Porém tem algo que pode ser um problema para alguns jogadores que é a falta de save states. Para dar mais peso para suas escolhas, os desenvolvedores optaram por manter um save automático. Portanto, se você quiser explorar todas as possíveis ramificações da história que levam ao oito diferentes desfechos, você tem que começar do zero. Eu tive paciência pra fazer dois finais e depois parei de jogar, porque mesmo pulando os diálogos a progressão é lenta.

TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES: SHREDDER’S REVENGE – BEAT’EM UP – 2022

Screenshot do jogo Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge
Cowabunga, caralho!!!

Uma coisa que vocês precisam saber sobre a minha pessoa é que não existe um golpe em toda a história dos beat’em ups que eu goste mais do que atirar os ninjas na tela em Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time. Logo, é evidente que no dia que saiu o trailer Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge eu babei. Não via a hora de jogá-lo, porém como sou pão-duro isso levou alguns anos para se concretizar.

Para mim o que Shredder’s Revenge acerta mais não é nem na jogabilidade, é no tom geral do jogo. Ele vem com muita energia do desenho matinal antigo das Tartarugas Ninjas e que sempre retorna com alguma nova produção. O tom cômico se espalha por todas as fases, dos cenários até nas animações dos inimigos e dos personagens selecionáveis. Eu queria destacar bastante essa parte das animações porque são elas que enchem o jogo de personalidade. Só as animações de corrida diferentes entre Leonardo, Rafael, Michelangelo e Donatello já mostram o investimento na direção de arte para criar personagens que se distinguem em todos os detalhes.

Em jogabilidade é onde acho que não tem muito que comentar. Não que seja ruim, mas é porque não tem nada muito além do que você encontra em outros beat’em ups das Tartarugas Ninjas. Existe muita variedade de cenários e inimigos, isso temos que reconhecer. Porém eu acho que pra um jogo com 16 estágios, eles poderiam ousar um pouquinho mais para além do formato de belt-scroll e as eventuais fases de prancha voadora. Até o Turtle in Time tinha pelo menos uma fase mudando a perspectiva para a frontal.

DUCKTALES: REMASTERED – PLATAFORMA – 2013

Screenshot do remaster do clássico jogo de plataforma de DuckTales
São os caçadores de aventura!

Eu nunca joguei o clássico DuckTales (uhul), lançado no Nintendinho em 1989, porém sua versão remasterizada de 2013 estava no meu radar há algum tempo. Eu não sabia de nenhum detalhe da jogabilidade, só vi que o jogo utilizava animação tradicional no design dos personagens e que era um jogo de plataforma 2D e decidi que eu precisava jogá-lo em algum momento. Tal como em Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge, isso levou algum tempo.

DuckTales (uhul): Remastered, até onde eu sei, replica a gameplay original apenas expandindo as fases além de incluir dublagem. Você controla o Tio Patinhas explorando cinco áreas diferentes para encontrar tesouros e aumentar sua riqueza. Para isso você pode usar sua bengala para acertar inimigos e saltar para alcançar plataformas mais altas. As fases não são tão lineares, salvo algumas seções, e você tem que explorar o mapa para concluir alguns objetivos específicos.

É um jogo de plataforma antigo reenergizado. Mas uma crítica que eu tenho a essa versão de DuckTales (uhul) é que pesaram a mão na história. Acredito que por contarem com dubladores – inclusive conseguiram trazer alguns dos originais que estavam vivos na época – quiseram adicionar mais cenas novas. O problema é que fazem isso constantemente no meio das fases, interrompendo a progressão tantas vezes que fica irritante. Agora nos deem o remaster de QuackShot, seus canalhas!!!

RECORD OF LODOSS WAR: DEEDLIT IN WONDER LABYRINTH – METROIDVANIA – 2021

Screenshot do metroidvania Record of Lodoss War - Deedlit in Wonder Labyrinth
Chama o Burro que ele resolve

Eu não me lembro quais foram os eventos que me levaram a jogar Record of Lodoss War: Deedlit in Wonder Labyrinth. Me conhecendo, provavelmente o jogo apareceu na minha linha do tempo e eu falei “eita, que metroidvania bonito!”. Isso porque até então eu não tinha contato com a franquia das Crônicas das Guerras de Lodoss e foi o jogo que me motivou a conhecê-la. Acabei assistindo as OVAs da década de 90, que eu gostei muito, e também os livros originais do Ryo Mizuno, que eu gostei muito das OVAs.

O jogo toma uma evidente inspiração em Castlevania: Symphony of the Night, principalmente nas animações de corrida da protagonista. Como metroidvania, Deedlit in Wonder Labyrinth é mais linear do que gostaríamos e puxa muito mais pro lado de RPG de ação. O que não vejo problema algum. Tem um sistema de polaridade tipo Ikaruga e Outland que acho que traz um diferencial e tem muitos segredos para você descobrir pelo mapa. Sem contar que é facilmente uma das direções de arte mais lindas que já vi.

Uma dúvida que acho que alguns acabam tendo é se precisa conhecer as Crônicas das Guerras de Lodoss para aproveitar Deedlit in Wonder Labyrinth. Olha, saber o contexto dos personagens até ajuda um pouco porque é praticamente uma colcha de retalhos com todas as principais figuras dos livros. Mas o arco da Deedlit e os temas que aborda não precisam de qualquer conhecimento prévio, o jogo já te dá informação o bastante.

DEATH’S DOOR – AÇÃO-AVENTURA – 2021

Screenshot do jogo Death's Door
Nem na morte você escapa da jornada 6×1

Death’s Door é um jogo tão bom, mais tão bom, tão bom mesmo que eu quase perdoei a Acid Nerve por aquele detestável Titan Souls. Sim, sou hater. Facilmente um dos meus jogos favoritos dessa Jogospectiva 2025 e um grande exemplo de como jogos de ação-aventura não precisam a se dobrar a mundos abertos quilométricos e mecânicas complexas para criar uma experiência marcante.

É até um pouco difícil para eu falar desse jogo sem descambar pra uma rasgação de seda interminável. Pois eu gosto de tudo nela. O universo, a direção de arte, o combate simples e desafiador, o senso de humor, o escopo moderado e com bastante coisa para explorar. Fora que eu acho fascinante a discussão sobre vida e morte pelas vias de um trabalhador precarizado, tanto que enquanto as outras regiões são vibrantes e carregadas de vida, o mapa hub tem esse tom monocromático depressivo que evidencia aquele sentimento que todos passamos em algum momento dentro de uma empresa.

Então eu vou ser direto, quem não jogou Death’s Door está se privando de uma das melhores experiências modernas de ação-aventura. Tem jogo com três vezes mais de duração que ele que não consegue chegar a ter metade da sua diversão. Só de escrever rapidamente sobre ele aqui deu vontade de reinstalar e jogar tudo de novo de tão gostoso que é viajar pelas suas regiões.

PS: não precisam me recomendar Tunic. Planejo jogar ano que vem!

VIRGO VERSUS THE ZODIAC – RPG – 2019

Imagem mostrando o combate de Virgo Versus the Zodiac. A protagonista Virgo enfrenta um guerreiro armado de escudo e lança com uma barra aparecendo acima de ambos os personagens. O jogador precisa acertar o timing exato para diminuir o dano do ataque
Melhor uso de signos desde Cavaleiros do Zodíaco

Virgo Versus the Zodiac começou como um projeto de RPG Maker, porém a sua desenvolvedora, Moonana, precisou migrar para o Game Maker. O motivo foi a complexidade que se mostrou um dos seus grandes destaques, o sistema de batalha, que foi inspirado na série de jogos de Mario & Luigi. Ou seja, Virgo Versus the Zodiac combina o tradicional combate por turnos dos JRPGs com sequências de pressionar botões específicos para melhorar a efetividade dos golpes e também liberar contra-ataques.

Pode parecer a princípio, mas o sistema de luta do jogo fica bem complicado. Você tem que levar em consideração a qualidade dos signos do Zodíaco, além de ter tipos diferentes de ataques e contra-ataques com cooldown específicos que não daria para abordar aqui em poucas palavras. Recomendo dar uma olhada na internet porque para mim é o que faz valer a experiência.

O jogo tem um tom que alterna entre uma comédia mais excêntrica como a da série Mother e outros títulos indie e um terror cósmico no sentido mais literal. A história também se divide em três caminhos possíveis, para combinar com a ideia das três qualidades de signo – Fixa, Mutável e Cardinal – que eu abordei com mais detalhes num texto aqui do blog. Tenho minhas críticas quanto às escolhas na história, mas no geral foi um RPG bem curioso de se jogar e com uma personalidade distinta.

THE WITNESS – PUZZLE – 2016

Screenshot do jogo The Witness
Quem imaginaria que uma linha me destruiria mentalmente…

Vou falar sem quaisquer exageros: The Witness vai desgraçar a sua vida. Você pega para jogá-lo casualmente, depois duas horas se passam e você continua sem saber como resolver a desgraça de um puzzle que parece ser ao mesmo tempo simples e impossível. Dito tudo isso, provavelmente esse é um dos melhores jogos que joguei na minha vida e que não pretendo voltar tão cedo porque ainda tenho uns traumas com certos puzzles.

O que eu achei mais incrível é como The Witness se renova a cada nova área sem precisar se afastar do conceito principal de traçar uma linha do ponto A ao ponto B. Quando você acha que não há mais para onde o jogo ir, ele traz um novo tipo de desafio e, melhor ainda, consegue fazer você entender a lógica dele sem te explicar. Você só observa os padrões e percebe a solução de forma muito natural.

“Padrão” é uma palavra importante no jogo porque logo você também se vê olhando pro cenário buscando enigmas ou mensagens escondidas nas formas e objetos. Não precisa de uma história clara, porque tudo vem de você e dá forma como você enxerga o mundo ao seu redor. Chega até enlouquecer, pois você começa a pensar que tudo é um puzzle a ser resolvido. Tanto é que provavelmente aqueles que já jogaram The Witness tentaram resolver novamente os puzzles da imagem acima de cabeça. Digo isso porque foi exatamente o que eu fiz.

THE HOUSE OF THE DEAD: OVERKILL – RAIL SHOOTER – 2009

Screenshot do jogo The House of the Dead: Overkill
Absolute cinema!

A Jogospectativa 2025 dá continuidade a uma descoberta que eu fiz ano passado de que eu aparentemente curto rail shooters. Dessa vez eu escolhi jogar The House of the Dead: Overkill que já tinha um tempo que eu estava com curiosidade de testar por conta da sua inspiração nos filmes de exploitation. Só precisei vencer minha preguiça de configurar o emulador de Nintendo Wii.

A graça desse jogo é em essência o tom. Mecanicamente ele opera igual a qualquer outro jogo da franquia, então nem tem o que se aprofundar nisso. Você vai andando atirando em tudo que se mexe, resgata alguns cidadãos, enfrenta uns chefões e atira mais em tudo que se mexe. Tudo isso enquanto você ouve dois personagens com a performance mais deliciosa e intencionalmente canastra que poderíamos ter.

É um jogo para se divertir por umas horas e lembrar com carinho no futuro. Mas se você for daqueles tipos de “indo consumir a mídia // é problemática”, talvez devesse pular este. Porque The House of the Dead: Overkill se compromete ao exploitation até o fim, com exceção de uma piadinha à la Marvel que demonstra um pouquinho de autoconsciência, acredito eu, para se resguardar.

GAUNTLET SLAYER EDITION – AÇÃO – 2015

Foto promocional de Gauntlet Slayer Edition
Diversão pra toda família!

Eu tenho uma vaga memória de ter jogado um Gauntlet antigo com um amigo, só não lembro qual. Também tenho memórias mais vívidas de ter jogado a ovelha-negra da família, Gauntlet: Seven Sorrows, com outro amigo. Fora isso, eu era virtualmente ignorante a respeito dessa série e acredito que isso me me fez gostar tanto de Gauntlet Slayer Edition.

Por mais que a gameplay fique repetitiva depois de algumas fases, esse foi o jogo que mais me divertiu no ano. Eu adorava passar horas e mais horas enfrentando hordas de inimigos sem precisar pensar muito. Como eu jogo de elfo, era só ficar andando pela sala atirando em tudo que se movia e repetindo esse processo na seguinte. Com certeza seria mais divertido ainda se eu tivesse algum amigo interessado em Gauntlet Slayer Edition, mas infelizmente não foi dessa vez.

Reconheço que o jogo poderia ter um pouquinho mais de criatividade nos seus puzzles, ou então simplesmente eliminá-los para focar apenas numa ação ininterrupta. De qualquer forma, o que me foi apresentado me agradou bastante. Uma pena que não tive chance de conhecer a versão anterior que pelo que li tinha uns elementos de evolução de personagem mais interessantes do que a atual.

WULVERBLADE – BEAT’EM UP – 2017

Caradoc agarrando um dos inimigos pelas costas
Briga de nórdico

A Jogospectativa 2025 tem um número considerável de beat’em ups. Considerando que o subtítulo do meu texto de Wulverblade é “o melhor beat’em up que eu sei que você não jogou”, acredito que é bem fácil adivinhar qual é a minha opinião sobre ele. Pra mim ele tá ali no topo da prateleira com Fight’N Rage como um dos melhores jogos de beat’em up da década passada, embora os motivos não sejam exatamente pela jogabilidade. Contudo Fight’N Rage conseguiu bastante reconhecimento pelos seus méritos (ainda que merecesse mais) e Wulverblade segue um pouco apagado a não ser pra quem mergulha de cabeça no gênero como o meu amigo Savino.

Achou que eu não ia dar um jeito de fazer publicidade gratuita pro seu canal, né?

Apesar de eu ter dito que não é a jogabilidade que me fez colocar o jogo lá no topo, isso não significa que ela não seja boa. Diria até que ela é aquilo que Golden Axe gostaria que fosse para os beat’em ups, mas vocês não precisam ouvir sobre o ódio que eu tenho por essa franquia. O que mais se destaca nela é a brutalidade, onde você decepa membros e cabeças dos inimigos e pode usá-los para tacar nos demais. Você se sente no meio de uma violenta guerra entre romanos e nórdicos.

Wulverblade conquistou meu coração foi com todo o trabalho de pesquisa que os seus desenvolvedores botaram na sua produção. Design dos personagens, as regiões escolhidas para a trama, o paratexto que acompanha o jogo, a dublagem. É algo que você esperaria num daqueles jogos históricos dos grandes estúdios, mas aqui você tem tudo isso num “simples” jogo de porradinha. Deem uma chance porque Wulverblade merece, mas mais do que isso, ele precisa!

JOGOS DE OPENBOR: DOUBLE DRAGON RELOADED ALTERNATE, SUPER FINAL FIGHT GOLD PLUS, BALACERA BROTHERS, BLOODY PAWS UNLEASHED, BUCCANEERS SHIPSHAPE & STREETS OF RAGE X – BEAT’EM UP / PLATAFORMA DE AÇÃO / RUN ‘N GUN – 2016-2025

  • Double Dragon Reloaded Alternate, fangame feito no OpenBOR

Anos atrás eu tive um “despertar” para jogos de OpenBOR e testei uma leva deles. Meses atrás eu tive um segundo “despertar” e acabei jogando ainda mais. Claro que nem todos eram bons, mesmo assim dava pra trazer uma penca aqui pra Jogospectiva 2025. Contudo resolvi me reservar a apenas seis títulos para não deixar essa seção muito extensa.

O primeiro foi Double Dragon Reloaded Alternate, feito pelo magggas, que pra mim é de longe o melhor fangame de Double Dragon da história. Não é como se eu tivesse jogado muitos, ha ha! Ele consegue recriar perfeitamente a jogabilidade dos primeiros jogos, incluindo a mecânica de escalar algumas paredes. A inteligência artificial dos inimigos também merece destaque porque eles te cercam direitinho e você precisa estar sempre atento.

Super Final Fight Gold Plus foi o último jogo completo do Pierwolf, com colaboração do Don Drago e já falei dele com detalhes naquele texto que cubro todos os títulos dele. Knights & Dragons: The Endless Quest segue como a magnum opus dele, mas Super Final Fight Gold Plus reúne todas as qualidades que o Pierwolf mostrou nos seus jogos durante toda sua carreira no OpenBOR.

Merso é outro membro notório da comunidade de OpenBOR, sendo responsável por dois fangames excelentes, o Power Rangers: Beats of Power e Teenage Mutant Ninja Turtles: Rescue-Palooza. Há uns anos ele resolveu arriscar no circuito comercial sem abandonar a ferramenta e já lançou três jogos bem especiais que abordei num texto. São eles:

  • Balacera Brothers: aqui o Merso conseguiu fazer um surpreendentemente bom jogo de run ‘n gun dentro do OpenBOR. Já tiveram outras tentativas, algumas não muito positivas, mas aqui você nem sente que é de uma engine feita para beat’em ups;
  • Bloody Paws Unleashed: remake de um antigo jogo de plataforma de ação espanhol que acho que quase ninguém além do Merso se lembrava. É o meu favorito, muito por conta do seu tom melodramático e por brincar com monstros clássicos da Universal. A jogabilidade também é fenomenal, novamente saindo dos beat’em ups tradicionais do OpenBOR;
  • Buccaneers Shipshape: o lançamento mais recente do Merso, também outro remake de um jogo espanhol que era uma versão bootleg de Vigilante. É terrível, não tentem jogá-la. Merso decidiu transformar o jogo, que era em corredor único, no formato mais padrão dos beat’em ups e trouxe muita criatividade para dentro do original.

Por fim temos Streets of Rage X, do brasileiro Kratus, que comentei recentemente como o considero o cartão-postal do OpenBOR. É um fangame fantástico que reúne os três jogos clássicos de Streets of Rage numa jogabilidade homogênea e muito bem feita. As três campanhas estão completas, porém o jogo segue em desenvolvimento contínuo para torná-lo mais balanceado. Esse é um dos que considero com o maior fator must play do OpenBOR.

JOGOS DE RPG MAKER: INKEY UNIVERSITY & SHŪJIN E NO PERT-EM-HRU – VISUAL NOVEL / RPG – 1998-2014

Cena de Inkey University onde o protagonista lê a carta que recebeu da universidade para qual aceito

Queria ter jogado (e falado) mais de jogos de RPG Maker esse ano, mas infelizmente outras coisas entraram na frente. Um dos que eu consegui foi Inkey University, feito pelo Uhtred com quem eu convivi nos meus tempos de Centro RPG Maker.

O jogo, como podem ver, é uma visual novel que não era algo tão comum assim de se ver na comunidade de RPG Maker da época. A parte visual dele é realmente incrível, o Uhtred fez um ótimo trabalho de manipulação de imagens. Já na parte da história é mais complicado. A trama é ok, mas o mistério se desenvolve e se resolve muito mal. Fora que por ser um eroge, o jogo cria muitos momentos de comédia não intencional com uns diálogos dignos de um pornozão bem canastra.

Batalha de Shūjin e no Pert-em-Hru em que o protagonista enfrenta Anubis que atacou uma das mulheres do grupo

O segundo foi Shūjin e no Pert-em-Hru, um antigo jogo de terror que eu fiquei sabendo da existência quando pesquisava sobre a história do gênero no RPG Maker. Zerei recentemente e gostei muito dele, já o coloco com um dos meus favoritos desse pequeno, porém muito interessante nicho.

Apesar de ter sido feito numa versão arcaica do RPG Maker, RPG Tsukūru Dante 98, o jogo conseguiu me impressionar pela qualidade. Os puzzles não são complicados porque o verdadeiro desafio é descobrir como manter todos os personagens vivos até o final. Ele é curto e bem linear, mas acho que consegue se sustentar frente todos os limites impostos pela engine daquele período.

LUFIA II: RISE OF THE SINISTRALS – RPG – 1995

Maxim usando o gancho para atravessar um buraco no chão

Para conseguir fechar uma lista de recomendação de JRPGs eu acabei jogando Lufia & The Fortress of Doom, um humilde RPG que gostei muito. Então um seguidor falou para eu jogar sua sequência, Lufia II: Rise of the Sinistrals, e agora eu me arrependo de ter dado a vaga da lista para o primeiro jogo da série. Lufia II é absurdo de bom!

Ele já me ganhou na melhoria que fizeram na jogabilidade, trazendo uns elementos de jogos de aventura aos moldes de The Legend of Zelda. Você obtém equipamentos especiais que são essenciais para explorar as dungeons e resolver puzzles. The Fortress of Doom pecava um pouco nesse sentido, se apoiando quase exclusivamente no combate. Rise of the Sinistrals por sua vez tem muito puzzle para te entreter e dar um desafio maior do que apenas derrotar monstrinhos.

Outra coisa fantástica é a escolha narrativa que fizeram em Lufia II. Ele é na verdade uma prequel, mostrando a história dos heróis que são apresentados no prólogo do primeiro jogo. Isso confere a Rise of the Sinistrals uma forte tragédia irônica, pois sabemos como essa jornada vai acabar com a morte do casal protagonista. Mesmo assim, o jogo consegue arranjar formas de te surpreender emocionalmente. O Super Nintendo foi realmente uma incubadora de muitos dos melhores JRPGs da história.

DREDGE – PESCA – 2023

Duas orcas nadando ao lado do barco do jogador em Dredge
Meu GOTY atrasado!

Agora para fechar a Jogospectiva 2025 com chave de ouro temos Dredge, um jogo que descrevo como sendo dos meus sonhos e dos meus pesadelos. Por algum motivo eu adoro mini games de pesca e o terror cósmico é um dos meus subgêneros favoritos. Então um jogo que consegue combinar tão bem esses dois elementos era garantia de me fazer um homem feliz.

Mas outra coisa que elevou muito a minha experiência com Dredge é o fato de eu ter um medo irracional do mar. Portanto, a atmosfera do jogo me afetou de um jeito especial. Toda vez que ficava de noite a minha ansiedade subia tanto quanto a barra de pânico do personagem do jogo. Os sussurros, os olhos na escuridão, os monstros marinhos, isso tudo funcionou muito mais por eu ter um medo real de viver coisas como essa em alto-mar.

Também vale destacar que a parte narrativa de Dredge é muito boa, pois ela usa descrições que te fazem se sentir dentro de um conto do H. P. Lovecraft. Eu já estaria mais do que satisfeito de apenas ficar pescando meus peixinhos nas diferentes ilhas do arquipélago, mas todo o lore sombrio de Dredge me deixou ainda mais investido no jogo. Foi uma experiência muito particular por envolver tantas coisas que me fascinam e me assustam, então não tem como não pensar nele como feito especialmente para mim.

UMAS PALAVRINHAS FINAIS

Para encerrar a Jogospectativa 2025 eu só queria desejar um Feliz Natal a todos que seguem acompanhando o blog. Como eu disse lá no começo, o site segue pequeno, mas fico feliz que pintem leitores recorrentes por aqui. Eu vou fazer uma pausa temporária como sempre faço nas semanas do Natal e do Ano Novo. Janeiro eu volto com o conteúdo normalmente.

Também quero adiantar algumas considerações para o ano que vem. Ultimamente eu não tenho conseguido me dedicar tanto aos videogames e, por extensão, os textos. Estou demorando para terminar as coisas e isso é só em parte influenciado pelas obrigações da vida adulta. Eu não tô conseguindo me focar direito e por isso que várias vezes eu simplesmente vou ver um filme. Não é nenhuma promessa, mas vou tentar melhorar nessa parte porque eu continuo querendo tornar o Backlogger um nome conhecido. Além disso, ano que vem deve ter mais uns textos de filmes nacionais porque vi uma porrada de coisas e eu preciso utilizá-las para algo.

Era só isso que eu tinha para dizer. Novamente agradeço aqueles que vêm me acompanhando e também aqueles que chegaram por esse texto da Jogospectativa 2025 e foram até o fim. Ah, é Feliz Ano Novo!


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