
Como qualquer blogueiro, eu estou sempre com um olho no meu site e outro olho no Google Console para ter uma ideia de quais buscas trouxeram vocês aqui para o Backlogger. Recentemente vi que muitas pessoas andaram procurando por “jogo do jaspion” e acabaram caindo no meu texto sobre a sonoplastia de Jaspion: The Game. Porém as circunstâncias não eram das mais felizes. Esse interesse súbito foi devido ao falecimento do Hikaru Kurosaki, ator que deu vida ao personagem na série tokusatsu de O Fantástico Jaspion.
Não cheguei a considerar a possibilidade de fazer um segundo texto discutindo mais do jogo do que apenas esse recorte sobre sonoplastia porque prefiro não lhe dar mais atenção. Aqueles que acompanham o blog com regularidade devem saber que sempre que possível eu gosto de falar de jogos de OpenBOR, então escrever mais um texto sobre Jaspion: The Game deveria ser um dia como qualquer outro. Acontece que, pouco depois de eu ter escrito aquele artigo, o meu camarada Douglas Baldan me explicou que o jogo foi só uma reskin que um cara fez em cima de outro título bem conhecido da comunidade de OpenBOR, o Power Rangers: Beats of Power do Merso X. Então isso me tirou qualquer vontade de falar dele outra vez.
Mas foi aí que me veio a ideia de que eu poderia aproveitar para falar do “original”. Afinal, é um joguinho curto e honesto que poderia gerar um texto igualmente curto e (talvez) honesto.
Merso é um veterano da comunidade de OpenBOR com mais de uma década de estrada. Nos últimos anos ele resolveu se arriscar no cenário independente, lançando alguns títulos comerciais sem abandonar o OpenBOR como sua principal engine. Até o momento ele já desenvolveu três jogos sob o selo Merson Entertainment: Balacera Brothers, Bloody Paws Unleashed e Buccaneers Shipshape. Lá atrás, o Merso vinha na longa tradição da comunidade de criar fangames das mais diversas IPs. Dentro e fora do universo dos jogos de luta! Inclusive ele tem dois principais jogos de OpenBOR no seu catálogo*, o megalomaníaco Teenage Mutant Ninja Turtles: Rescue-Palooza! e o supracitado mais humildão Power Rangers: Beats of Power.
*Todos esses jogos vocês encontram no perfil da GameJolt do Merso.
Algo que marca os jogos do Merso desde esse começo é a sua preocupação em recriar a jogabilidade de outros jogos no OpenBOR. Tanto é que seus dois últimos lançamentos comerciais, Bloody Paws Bloody Paws Unleashed e Buccaneers Shipshape; três se contarmos Teenage Mutant Ninja Turtles: Fall of the Foot Clan DX, foram remakes. Beats of Power de certa forma também seguiu sua linha, porém é mais uma combinação de mecânicas, e recursos, de diferentes jogos de Power Rangers. Podemos destacar dois, o Mighty Morphin Power Rangers (1994), do Super Nintendo, e o Mighty Morphin Power Rangers: The Movie (1995), do Mega Drive. Este último é a influência mais óbvia, na estrutura das fases e na jogabilidade, porém o Beats of Power chega até mais “coeso”.

O jogo se apresenta como um beat’em up de Power Rangers tão formulaico quanto os episódios da série. No início de cada fase você seleciona o Ranger de sua preferência, vai enfrentando inimigos até mais ou menos a metade até o Alpha 5 aparecer e lhe entregar o seu morfador. Agora com o traje de Ranger, você continua a fase até chegar no chefão que terá que enfrentar duas vezes: primeiro na sua forma normal e depois na sua forma gigante com um dos Megazords.
A fórmula é quebrada a partir da quarta fase, onde você só enfrenta o chefão uma única vez. A penúltima é só um longo corredor no qual você tem que desviar de buracos e labaredas de fogo. Por fim, a sexta e última fase é um boss rush em que você enfrenta em sequência o Goldar, a Rita Repulsa e as duas formas do Lord Zedd.
Notem que parece que estou evitando falar da jogabilidade, ou seja, do combate e isso é intencional. Eu poderia explicar os combos, agarrões, ataques especiais, etc., porém isso não faz muita diferença. Porque o público-alvo de Beats of Power não é exatamente o fã de beat’em ups e sim o fã de Power Rangers. É uma constatação bem óbvia considerando que desde o começo sabemos que se trata de um fangame, mas o que estou tentando destacar é o quanto o jogo se dedica para ativar todo e qualquer gatilho que um fã de Power Rangers possa ter. Falo isso sem demérito algum, para mim é a característica que dá sentido a Beats of Power.
Vou dar um exemplo: na tela de seleção de personagens tem as fotos certinhas de todos os atores da primeira formação dos Rangers. É um detalhe irrelevante para a jogabilidade, mas que evocará muita nostalgia nos fãs. Tudo no jogo é calculado para isso. O Merso inclui várias cenas da série, como as sequências de morfagem e a invocação dos Zords. Que aliás, o jogo permite você escolher entre o Megazord clássico, o White Tigerzord, o Dinozord e o Thunder Megazord. Não há grandes diferenças de mecânicas entre eles, mas é óbvio que o fã não estará pensando nisso quando ver que pode usar qualquer um deles.

Aquilo que falei de Jaspion: The Game em relação a sonoplastia – até porque esse é o jogo “base” – também se aplica aqui. Porque não é só a trilha sonora, é a inclusão das falas dos personagens até mesmo naqueles gritinhos sincronizados com cada golpe. Quando você está enfrentando o Ranger Verde no Centro de Comando e ele usa a Adaga do Dragão, não toca um som eletrônico típico de videogames. Toca a melodia original do mesmo jeito que toca na série, então fica muito difícil não ativar qualquer gatilho emocional em você.
Isso não significa que você precisa ser um fã para apreciar Power Rangers: Beats of Power. Pode não ser o beat’em up mais bem polido, os agarrões por exemplo me incomodam um pouco, mas tem que pôr em perspectiva que esse foi o primeiro dos projetos concluídos pelo Merso. Comparando hoje com Buccaneers Shipshape, você nota que ele melhorou exponencialmente. Além disso, Beats of Power é um jogo bem curto. Infelizmente ele ainda se limita bastante nos chefões e cenários dos jogos oficiais, pelo menos isso o impede de ficar repetitivo.
No final é um fangame honesto. Diria até mais honesto até que alguns dos jogos que o inspiraram. É um beat’em up bem montado que se move muito mais pelo fanservice do que pelas mecânicas. Divertido para dias que você tem uma hora para gastar sem muito compromisso. Agora…
… SÓ MAIS UMA COISA!

Motivo pelo qual eu disse que esse texto (talvez) não fosse tão honesto, é porque eu tinha uma segunda intenção para falar de Power Rangers: Beats of Power. Sabe aquele meu camarada Douglas Baldan que citei lá no começo? Pois então, ele também é outro veterano da comunidade de OpenBOR – já falei aqui sobre um dos jogos dele: Pocket Dimension Clash 2 – está com seu próprio projeto de fangame de Power Rangers.
Anos atrás ele se juntou com alguns conhecidos e formaram a Pop Hero Games. Desde então eles vem trabalhando no Power Rangers: It’s Morphin’ Time, que promete ser mais outro jogo emblemático do OpenBOR. Por se tratar de algo feito por fãs para fãs, o projeto caminha a passos curtos e deve levar mais um tempinho para ficar pronto. Então sejam pacientes!
Tive a oportunidade de testar uma demo e já deu para ter um gostinho que esse promete ser um fangame ainda mais fantástico que o Beats of Power, tanto em questão de fanservice quanto de jogabilidade. Fiquem de olho!
O Backlogger precisa do seu apoio para crescer. Então, por favor, compartilhe ou deixe um comentário que isso ajuda imensamente o blog. Para mais Rapidinhas clique aqui.




