
Semanas atrás eu trouxe aqui no blog o jogo brasileiro Shard Squad. Caso não se lembrem (ou não tenham lido, seus canalhas!), eu mencionei que ele foi lançado por uma publisher brasileira, a Nuntius Game. Empresa cujo um dos fundadores é ninguém menos que o “E aí, beleza? Eu sou o Velberan!”. Pode parecer que eu estou fazendo uma introdução assim porque quero que eles entrem em contato comigo oferecendo chaves para os futuros jogos que publicarem e se causei essa impressão é porque isso é EXATAMENTE o que eu estou fazendo. Mas também porque eu queria mencionar que não comprei o Shard Squad sozinho, ele veio num bundle acompanhado de outro jogo brasileiro chamado Ghetto Zombies: Graffiti Squad.
Desenvolvido pelos paulistas da Fogo Games, Ghetto Zombies é um jogo do estilo run ‘n gun que pega algumas inspirações do clássico Zombies Ate My Neighbors, de 1993, mas substituí a identidade de filmes B para a cultura urbana da periferias brasileiros, sobretudo na música e no grafite. A história se passa anos depois que um vírus infectou a água da cidade transformando a sua população em zumbis. O único lugar não afetado foi o bairro de Vila Fundinho porque, ironicamente, não havia abastecimento no local. Os moradores criaram barricadas ao redor do bairro, transformando-o na única resistência contra a ameaça dos zumbis.
A partir daqui, Ghetto Zombies se mostra um jogo de ação bem direto e honesto. Os protagonistas são o Z-Squad, um grupo de quatro adolescentes mutantes que são enviados em missões para fora da Vila Fundinho pelo Dr. Vara, uma capivara antropomórfica (Brasil, claro) que está tentando desenvolver uma cura para o vírus. O objetivo do jogo é bem simples, explorar a área externa de Vila Fundinho que se configura como um labirinto por causa das barreiras, sobrevivendo aos ataques de zumbis que você encontra pelo caminho.
Para tal você escolhe um dos quatro protagonistas, podendo alternar entre eles no quartel-general do Z-Squad. Cada personagem tem seus atributos, uma arma especial própria, dash e um ataque de corpo-a-corpo. Para dar algum atrito pro jogo, as armas tem munição limitada e também tempos de recarga diferentes. O mapa se divide em quatro regiões, cada uma representando um “capítulo” do jogo, que por sua vez se subdividem em vários blocos. Para passar de um bloco para o outro você precisa obter uma chave e para obter uma chave você tem que pichar paredes.

…
Ok, deixa eu explicar melhor. Em cada bloco de Ghetto Zombies existe um ou mais pontos em que os personagens têm que fazer algum grafite. Logo após surge uma mochila junto de uma horda de zumbis e outros mutantes. A última mochila do bloco contém a chave para abrir a porta para a próxima área que fecha assim que você a atravessa.
Os inimigos do mapa sempre deixam para trás alguma munição, pontos de experiência e estrelas. A experiência é usada para subir de nível, lhe dando um ponto para distribuir entre as habilidades dos personagens. Já as estrelas servem para abrir caçambas de lixo nos blocos que contém armas ou um item de cura. No meio de cada uma das regiões você encontra um mini-chefe especial e no final dela o chefão do jogo que vai se tornando cada vez mais forte a cada novo capítulo.
E isso é tudo pessoal!
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Não, eu falei sério. Ghetto Zombies não vai nada além do que eu falei e não quero perder o tempo de vocês com encheção de linguiça. Algo que o próprio jogo não faz e isso não é 100% um elogio. Não dá para ir muito além do que um resumo da jogabilidade porque o que sobra são platitudes do tipo: “achei divertido”, “os gráficos são bem bonitos”, “gostei da música” e por aí vai!
Toda área é o mesmo esquema: pichar paredes, matar zumbis, pegar a chave e partir para o próximo bloco. Apesar de cada região introduzir algum novo tipo de zumbi ou mutante, o formato de desafio permanece o mesmo. Como eu disse lá no começo, é um jogo de ação bem direto e que acaba sendo tanto a sua principal qualidade quanto o seu maior defeito.
Apesar de curto, Ghetto Zombies consegue ficar bem cansativo. Não porque você se sente sobrepujado pelas hordas de inimigos que você tem que enfrentar e sim porque não tem mais nada para fazer além disso. O jogo poderia ter alguma missãozinha diferente, salvar um NPCs, investigar uma área, obter algum item especial, só que não há nada disso. Não tem nem mesmo um modo cooperativo ou de sobrevivência para você ter algo a fazer além da campanha principal. Fica a sensação que estamos jogando na verdade uma versão de acesso antecipada do que o jogo completo de fato.
Não sei se a Fogo Games tem planos para uma expansão ou uma sequência que adicione mais mecânicas e modos de jogo que agreguem mais valor de replay. O diálogo após o último chefão dá a entender que haverá uma continuação dessa história. Porém, enquanto isso não acontece, Ghetto Zombies: Graffiti Squad segue como um jogo de ação com uma proposta honesta, bastante carismática, mas que carece de mais substância.

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