O (talvez) subestimado Castlevania II: Belmont’s Revenge

Para alguém que se identifica na internet como BELMONTEIRO, eu falo pouquíssimo de Castlevania, não é mesmo? Seja aqui no blog, seja nas minhas redes sociais. Mas pra ser sincero, eu gosto muito mais de Fatal Frame do que gosto de Castlevania e falo ainda menos dela. Do filme eu falei! Pois bem, hoje – e somente hoje – irei corrigir esse meu desvio de caráter. Eu poderia ir nas escolhas fáceis de falar sobre Symphony of the Night ou Aria of Sorrow. Ou então na escolha correta de explicar porque Circle of the Moon é muito melhor que esses dois. Também poderia falar de Castlevania II: Belmont’s Revenge, um jogo de 1991 no período clássico da franquia que acho que até mesmo dentre os fãs foram poucas pessoas que o jogaram. Show! Vamos com essa última.

Castlevania II não é um título que carrega um legado muito positivo para a série e também pode gerar algumas confusões. Portanto, eu acho que será melhor para todos se eu me referir a ele apenas pelo seu subtítulo. Belmont’s Revenge é um dos três jogos de Castlevania que foram lançados para o Game Boy. O primeiro foi The Adventure, depois o próprio e por fim Legends. Não acho pertinente entrar em detalhes sobre o último porque ele é apenas um jogo esquecível. Contudo, infelizmente eu vou ter que falar de The Adventure, porque em parte ele é uma das razões que faz Belmont’s Revenge ser tão bom.

The Adventure é um jogo que eu não tenho a menor dúvida que a Konami encomendou apenas para marcar presença no Game Boy meses após sua chegada no mercado ali em 1989. Por isso ele me passa a sensação de ser um jogo apressado que não teve tempo de se moldar às limitações tecnológicas do portátil. Também não ajuda muito que meses depois saiu o clássico Dracula’s Curse para o Nintendinho, reforçando o quanto aquele era um jogo bem abaixo da média.

Os planos de fundo e os sprites de The Adventure podem até causar uma boa impressão a princípio, ainda mais se você for alguém que gosta da estética dos jogos antigos. Só que esse encantamento acaba tão logo o quanto você percebe que esses gráficos causam problemas de desempenho em que você sente aquelas “travadas”. Eu admito que são cenários muito bonitos, mas eles floreiam um level design sem muito a que apresentar. A jogabilidade também não é das melhores, tanto na movimentação do personagem quanto nas hitboxes, e imagino que também foi apressada porque nem mesmo programaram as icônicas sub-weapons de Castlevania.

Se existe uma real qualidade em The Adventure é que ele torna Belmont’s Revenge ainda melhor em comparação. Este já é um jogo que eu consigo acreditar que teve um desenvolvimento planejado para o Game Boy e aprendeu com a experiência anterior. Você nota isso nos gráficos, que eles deixaram muito mais “leves” aproveitando mais do fundo branco melhorar o desempenho. Aquele andar pesado do personagem agora parece mais uma escolha intencional, tal como nos consoles, do que uma consequência do Game Boy se esforçando para não explodir. Até conseguiram adicionar as sub-weapons, embora sejam apenas duas: água benta e machado (na versão japonesa é a cruz).

The Adventure (esq.) vs Belmont’s Revenge (dir.)

Level design melhorou muito também, principalmente porque trouxeram uma dinâmica parecida com Mega Man. Em vez de pular de estágio em estágio consecutivamente, você começa num menu com quatro castelos diferentes, cada um com um tema próprio, que você pode explorar na ordem que quiser. Só depois que o verdadeiro castelo do Conde Drácula surge e você precisa passar por mais duas fases e meia. A última é só um corredor curto e sem inimigos que te leva para a luta final.

Tem até umas boas sacadas para não limitar o Belmont’s Revenge a apenas pular de plataforma em plataforma e derrotar inimigos. Uma favorita minha é uma seção da fase das rochas em que se destruir todas as velas a sala toda escurece e você só enxerga o personagem e os inimigos. Também nesse mesmo mapa o jogo até reaproveita um chefão de The Adventure que aparece como um inimigo comum, reconhecendo que o antecessor tinha ideias legais que apenas não foram executadas da melhor maneira possível. A mecânica de power up do chicote também foi mantida, porém não é cancelado quando você sofre dano e sim pelo ataque de um inimigo em particular.

Belmont’s Revenge mantém um nível aceitável de desafio ao longo da sua gameplay. Às vezes é um pouco frustrante o pulo, porém nada que faça você errar as plataformas com frequência. Talvez o que irá incomodar mais são os dois últimos chefões em que você nota um aumento significativo na dificuldade nas lutas e nas suas respectivas fases também. A luta com o Soleil pode ser uma frustração particular porque nas primeiras tentativas parece um tanto impossível. Eu mesmo meti um save state e fiquei duelando com ele até entender os movesets para depois refazer a fase honestamente. Essa parte também é um bom exemplo para mostrar que o jogo apesar de não facilitar, também não te pune tão severamente. Você tem continues infinitos, então se perder sua vida você só precisa reiniciar de um checkpoint e não do começo da fase.

A luta contra o Drácula também dá uma raivinha, mas é porque desviar dos ataques dele não depende de reflexos e sim posicionamento + memória. Você precisa estar em pontos específicos para não ser atingido pelas orbes dele e até gravar todos os lugares certos você terá que refazer a luta algumas vezes. Depois disso, vira mais um teste de paciência e autocontrole do que habilidade.

Então, para finalizar, eu queria destacar como Castlevania II: Belmont’s Revente é um dos melhores títulos do período classicvania da franquia. Infelizmente eu acho que ele é um tanto subestimado- talvez até esquecido – porque você tem competidores fortes nos consoles: Super Castlevania IV, Rondo of Blood e Bloodlines. Além disso, por ser um joguinho humilde do Game Boy ele fica mais vulnerável a receber aquele adjetivo tão detestável de gamer médio de “datado”. Mas quem quiser ir com a mente aberta e conhecer mais do passado de Castlevania, esse é um dos que vale a pena.


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