Para Todos os Survivors-like que Já Zerei

Pôster do filme Para Todos os Garotos que Já Amei editado com imagens de 12 survivors-like diferentes

Pessoas são seres complexos e expostos a todo tipo de contradição. Uma entre as várias que eu tenho é que apesar de abominar esses jogos de survivors-like – também conhecidos como bullet heaven – eu também não para de jogá-los. Ok, não foram tantos assim. Ao longo dos últimos anos eu “zerei” 12 deles. Coloco aspas porque não são jogos que tem um final no sentido mais tradicional que vemos em outros gêneros. Meu critério é terminar todos os mapas na maior dificuldade possível.

Apesar de eu nunca ter voltado a um desses survivors-like depois de zerá-los, de tempos em tempos eu testava outro. Não sei direito o que me levava a isso, porque até mesmo os títulos que eu gostava não me davam uma satisfação remotamente próxima a de outros jogos. A minha melhor teoria é que eu coloquei na cabeça que queria encontrar um que destronasse o primeiro survivors-like que eu testei e que seguia como o meu favorito entre os demais. Algo que aconteceu recentemente caso você seja uma das pessoas que acompanha o meu blog.

Portanto acho que estou pronto para virar essa página da minha vida. Já me convenci que não tem mais nada que eu possa tirar desse gênero que valha continuar testando outros títulos. Talvez eu volte bem lá no futuro, mas por enquanto vou me dedicar a coisas mais interessantes, tipo jogos de animê do Game Boy Advance. Contudo não gostaria de deixar toda essa experiência acumulada ao longo de quatro anos passar batida, então resolvi fazer uma lista com todos os survivors-like que eu já zerei.

E também porque quando pensei na thumb eu comecei a dar risada e vi que tinha que fazê-la!

Antes de darmos sequência aos jogos, deixem-me fazer umas rápidas considerações. Geralmente eu organizo as minhas listas ou por ordem alfabética ou por ordem de lançamento. Mas hoje abrirei uma exceção. Dessa vez a lista está ranqueada começando pelos survivors-like que eu mais gostei e descente até aqueles que eu mais odeio.

Além disso, numa curiosa coincidência, dá para subdividir a lista também em três grupos certinhos. Os quatro primeiros são os meus favoritos, aqueles que eu olho e digo que não são apenas bons survivors-like como também são bons jogos. Já aqueles da quinta até a oitava posição são intercambiáveis, minha opinião sobre eles não varia tanto então não faz diferença que lugar eles estão. Por fim, os quatro últimos são aqueles que eu realmente odeio e não recomendo para ninguém, até mesmo se você fizer parte dessa comunidade detestável de survivors-like.

Perfeito. Agora vamos aos jogos!

SOULSTONE SURVIVORS

Caça aos Titãs, o modo final de jogo em Soulstone Survivors

Chega a ser curioso ver que o primeiro item da lista é o último survivors-like que eu joguei. Quase como se o universo tivesse planejado para eu encontrasse com Soulstone Survivors para amarrar satisfatoriamente a minha jornada com o gênero. Com muita tranquilidade eu afirmo que esse é um dos melhores survivors-like feitos – que fica melhor sabendo que é brasileiro – e se não digo que é o melhor é apenas porque não tenho interesse em continuar explorando esses jogos.

A proposta de Soulstone Survivors é combinar a manjadíssima fórmula de survivors-like com elementos de RPGs de ação “Diablo-like”. Eu até gostaria que ele fosse mais parecido com um Titan Quest ou um Grim Dawn do que outra coisa, mas o apreciei da mesma forma. Esse foi o jogo que finalmente me fez sentir o apelo de tentar criar builds superpoderosas que eu via outras pessoas falando sobre outros jogos de survivors-like e nunca consegui entender. Tanto é que eu gastei mais horas do que gostaria de admitir em Soulstone Survivors do que muitos outros jogos que constam na minha lista de favoritos da vida.

Há de se destacar que esse também parece ser um jogo cujos desenvolvedores tinham um real planejamento por trás. Existem tantos títulos de survivors-like em que o jogo simplesmente acaba num mapa qualquer que me deixa desanimado. Em Soulstone Survivors, por outro lado, o confronto final com o Rei do Vazio vai sendo antecipado tanto na jogabilidade quanto nas falas dos personagens. Eu fiquei investido não só pelas mecânicas, mas também pela conclusão dessa pequena trama que se constrói ao fundo.

Se eu de fato não encostar em outro survivors-like depois de Soulstone Survivors, para mim está ótimo. Fechou com chave de ouro!

VAMPIRE SURVIVORS

Inlaid Library, um dos estágios de Vampire Survivors

Vampire Survivors foi meu primeiro survivors-like como também o de muita gente, numa época em que ainda nem tínhamos um nome para isso. Até porque foi ele o responsável pela definição e popularização do gênero. Algo que hoje não parece ser um mérito . Não totalmente no sentido literal, já que o próprio desenvolvedor nunca escondeu sua inspiração em Magic Survival. Porém foi Vampire Survivors deu início a essa onda de survivors-like (o que hoje talvez seja um demérito) estabelecendo uma fórmula facilmente replicável.

Mas não é apenas por ser o fundador que me faz colocá-lo tão alto na minha lista. Eu ainda considero Vampire Survivors um dos melhores expoentes dos survivors-like, pois ele aplicou coisas que muitos dos seus clones não prestaram a devida atenção, focando mais na dinâmica mais superficial da jogabilidade com os upgrades e a criação de builds super poderosas. Vampire Survivors também conta com uma boa variedade de mapas que não se limitam apenas a ser uma grande arena para você sobreviver aos intervalos de tempo pré-determinado. Há mais desafios e, acima disso, segredos para você de fato explorar o mapa e não apenas andar a esmo.

Claro que Vampire Survivors também criou os principais “vícios” que depois de um tempo me afastam desses jogos. A dificuldade é artificialmente inflada para te fazer repetir a mesma partida diversas vezes até você comprar bônus permanentes o bastante para viabilizar sua sobrevivência. Fora o exagero de conteúdo desbloqueável que nada mais é como outra forma cretina de te fazer passar mais tempo nesses jogos em vez de uma jogabilidade que tenha um real valor de replay. Algo que eu consegui relevar anteriormente, mas hoje em dia está ficando cada vez mais difícil.

HOLOCURE: SAVE THE FANS!

Uma das personagens de HoloCure: Save the Fans usando seu ataque especial

HoloCure: Save the Fans! talvez seja o mais perfeito dos clones de Vampire Survivors e eu não encaro isso como um defeito. Ele chegou cedo nessa corrida, então conseguiu angariar alguns jogadores antes que os survivors-like saturassem o mercado. Assim, até hoje ele consegue sustentar uma fanbase ativa e o próprio desenvolvedor o mantém atualizado adicionando novos recursos e personagens de tempos em tempos.

O que mais me agradou em HoleCure é ver que ele fez a lição de casa direito. Podemos ser cínicos e dizer que é um caso de “pode copiar, mas não faz igual” já que ele é um Vampire Survivors com skin de Vtubers, porém eu acredito que o jogo merece um pouco mais de generosidade. Evidente que ele tem muito fanservice para quem é desse nicho das Vtubers, mas dá para você se divertir com ele mesmo sendo 100% leigo como eu.

É bacana ver alguns elementos dessa cultura sendo traduzidos para a jogabilidade, como a ideia de fandom ser um rank que melhora as personagens e as cartas de fãs deixadas pelos monstros que concedem bônus incrementais. Diria até que tem coisas que ele fez bem melhor que Vampire Survivors, em como alguns inimigos se comportam e spawnam no mapa e também que as personagens têm estilos próprios em vez de ser só um avatar que começa com uma arma específica. Ele tem até um lado de life simulator em que você pode visitar a HoloHouse para fazer outras atividades quando cansar de ficar nos mapas matando monstrinhos.

MANIAC

Um dos personagens de Maniac atirando nas ruas

Para ser sincero com vocês, eu gosto bem mais de Maniac do que eu gosto de HoloCure. O motivo de eu colocá-lo abaixo é porque exige ser um pouco mais flexível com a definição de survivors-like para encaixá-lo aqui. Dá para apontar alguns elementos em comum, contudo esse é um jogo que enfatiza o componente da ação mais do que a maioria dos jogos dessa lista. Até porquê a principal referência que ele tem como base não é Vampire Survivors e sim os primeiros jogos de Grand Theft Auto (GTA).

Esse é o principal motivo de eu gostar de Maniac, pois alguém tentou fazer algo um pouquinho mais diferente do que o mesmo esquema das arenas, ainda que tecnicamente funcione de maneira análoga. Você controla um personagem e tem que criar caos pela cidade até que ela seja bombardeada para te impedir. Durante esse intervalo você sobrevive com suas habilidades especiais, armas e também roubando veículos. Tudo seguindo aquela vista por cima do GTA clássico pela qual eu admito que tenho bastante nostalgia.

O principal defeito de Maniac é que ele não te oferece mais nada além da premissa. É o mesmo mapa sem nenhum outro tipo de desafio para tornar uma partida diferente da outra. Depois que você consegue sobreviver pela primeira vez, o jogo tenta se sustentar apenas com aquela cretinice de conquistas que necessitam que você continue repetindo o mapa diversas e diversas. Não é à toa que eu parei de jogá-lo depois da minha segunda vitória porque sabia que, se desse continuidade, Maniac iria cair no meu conceito.

SHARD SQUAD

Imagem de Shard Squad, mostrando Sid um dos personagens de fogo numa das primeiras fases

Entrando no segundo grupo da lista, é bem simbólico que ele seja Shard Squad pois ele é um dos representantes de uma segunda onda de survivors-like que passa por um processo que chamei de “gimmickzação”. Para não ficar tão escrachado que estão copiando Vampire Survivors, alguns desenvolvedores começaram a pensar em mecânicas diferentes para o combate dos seus jogos e assim criar a ilusão de novidade.

No caso de Shard Squad, a gimmick é a sinergia. Em vez de armas mágicas, você usa monstrinhos, Shards, que o jogo não tem vergonha alguma de admitir que são inspirados em Pokémon. Cada Shard está associado a um elemento e possui algumas características que, se combinadas com outros Shards que também as possuem, concedem efeitos especiais para o personagem líder da sua equipe. Além disso, no meio de cada fase você tem a possibilidade de evoluí-lo para uma forma mais poderosa se coletar todos os cristais a tempo.

Shard Squad é bem simpático e é um dos poucos dessa lista que eu tenho interesse em revisitar o seu universo. Porém não no formato de survivors-like. Acredito que exista um grande potencial para uma releitura desse jogo como um RPG que possa explorar melhor seus personagens e o mundo que os desenvolvedores criaram para ele. Tem uma lore ali esperando para ser melhor aproveitada.

20 MINUTES TILL DAWN

O único momento que tive vontade de fazer alguma conquista em 20 Minutes Till Dawn

20 Minutes Till Dawn é um dos jogos que veio naquela onda inicial após Vampire Survivors, porém ele já pensava na ideia de apresentar uma gimmick diferente em vez de apenas uma mudança estética. Seu apelo é dar mais agência ao jogador, portanto, em vez de apenas andar pelo mapa desviando dos monstros enquanto os ataques disparam automaticamente, você controla a mira e o disparo das armas.

Uma coisa que eu curti bastante em 20 Minutes Till Dawn é a sua atmosfera. O jogo traz o elemento da escuridão, escondendo inimigos atrás do campo de visão do personagem para dar um clima de terror às partidas. Claro que isso não tem a intenção de assustar o jogador, é uma questão estética. Até mesmo porque isso se perde mais para o fim da fase quando você tem dezenas de monstros vindo de todos os lados a ponto que você não tem mais espaço para criar tensão.

Problema de 20 Minutes Till Dawn é que ele não te entrega muita coisa. Acho até bacana a skill tree simplificada que ele faz com os upgrades, porém ele enjoa muito rápido. São apenas três mapas e assim é cansativo ficar repetindo os mesmos cenários só para concluir todos os 15 níveis de dificuldade. Você só pode subir de um em um, para habilitar um novo nível você precisa ter sobrevivido uma fase no anterior e nem é tão perceptivo o aumento do desafio. Na metade do caminho eu já não aguentava mais!

KARATE SURVIVOR

Fase do bar de Karate Survivor. Vários inimigos parecidos com punks vão na direção do protagonista que difere dúzias de golpes marciais neles.

Como alguém que adora um bom filme de artes marciais, especialmente do Jackie Chan, daria para imaginar que Karate Survivor ficasse um pouco mais acima. Talvez se eu o jogasse de novo ele entraria lá no primeiro grupo, até porque não é como se tivesse desgostado dele. O problema é que Karate Survivors chegou até mim quando eu já estava no meu processo de desencanto com os survivors-like e essa mancha ficou nele.

Pois bem, Karate Survivor também pertence a aquela linha de jogos que tentava se destacar com uma gimmick particular. Aqui, obviamente, as armas são golpes de artes marciais. Só que o sistema vai um pouquinho além. Cada golpe tem uma numeração e se você colocá-los em ordem isso cria um combo mais poderoso. A mesma coisa acontece quando você combina golpes de um mesmo estilo que criam um efeito especial nos seus ataques.

Outra coisa legal de Karate Survivor é como ele traz um aspecto dos filmes do Jackie Chan em que o cenário faz parte da luta também. Então aqui você pode usar objetos para causar um dano extra, bem como fazer algumas acrobacias para acessar determinadas áreas ou desviar dos inimigos. Mas é aquilo, depois que você termina todos os mapas, não há nada muito interessante a se fazer no jogo a não ser que você queira desbloquear todos os golpes.

SLIME 3K: RISE AGAINST DESPOT

Jogabilidade do survivors-like Slime 3K: Rise Against Despot

Já nesse ponto da lista começa a ficar um pouco complicado falar desses jogos porque não há muito o que dizer além das gimmicks que os distinguem um do outro. Slime 3K: Rise Against Despot não é nenhuma exceção e daria para resumi-lo em um único parágrafo.

Pois então, qual é a “novidade” da vez? No jogo você precisa montar um deck com todas as opções de armas que podem aparecer durante uma partida. O elemento da aleatoriedade ainda existe, porém fica mais fácil montar as builds que você tem interesse. Outro aspecto importante é que para melhorar cada arma você precisa combiná-las após pegar três vezes o mesmo tipo e é por isso que Slime 3K: Rise Against Despot tem tantos espaços para armas. Portanto, você não pode sair pegando qualquer coisa como bem entender e pensar um pouco antes das suas escolhas.

É um dos jogos mais visualmente interessantes dessa lista, porém ele fica tão abaixo por um motivo específico: não me marcou. Precisei fazer um esforço extra para conseguir puxá-lo da memória e o máximo que consegui lembrar foram suas mecânicas e que eu achei ele divertidinho. Tão esquecível quanto a maior parte dos survivors-like.

BROTATO

Uma partida do survivors-like Brotato

Entrando agora no grupo dos survivors-like que eu detesto com Brotato, porém vou ser um pouco generoso com ele. Não acho um jogo ruim e tem até um apelo nostálgico pela simplicidade da sua jogabilidade e também dos seus designs. Alguns podem chamá-lo de “jogo de celular” com uma conotação negativa, porém eu o vejo como um herdeiro da cultura de sites como Newgrounds e, para citar um exemplo mais nacional, Click Jogos.

Até mesmo no seu formato Brotato remete aos típicos jogos que encontraríamos naquelas plataformas. Em vez de sobreviver a hordas contínuas igual à Vampire Survivors, você tem que derrotar uma sequência de ondas de inimigos. No intervalo de cada uma delas você usa o dinheiro coletado para comprar ou aprimorar os seus equipamentos. Além de uma cacetada de itens, você também tem uma cacetada de personagens com diferentes especializações que te fazem testar diferentes builds e estratégias.

Brotato é um jogo perfeitamente ok e consigo entender o apelo dele. Então por que ele ficou tão baixo na minha lista? Porque ele foi o primeiro do gênero que começou a levantar todos os problemas que passei a ter com esses jogos. Ao contrário de Maniac, que eu parei de jogar para não afetar a experiência positiva que tive com ele, esse aqui eu parei de jogar porque começava a me desencantar com os limites que o formato de survivors-like oferecia.

DINO SURVIVORS

Fase do fogo, um dos mapas finais de Vampire Suvivors

Dino Survivors é um dos casos de jogos que foi caindo no meu conceito cada vez que eu pensava nele. Se não estou enganado, esse foi o segundo survivors-like que eu joguei depois de Vampire Survivors e acredito que tenha sido por isso que eu fui bem generoso ao falar dele no passado. Agora, quando penso em retrospecto, não existe nada particularmente interessante nele além de ser um o “Vampire Survivors pré-histórico”.

Ainda acho o jogo bem bonitinho, principalmente no design dos personagens. Também ajuda que ele tenha um pouco mais de animação nos bonecos que torna esses inimigos mais vivos… E isso é tudo que eu tenho para dizer dele! De verdade, não tem nenhuma mecânica que vale a pena destacar porque não existe uma mecânica para se destacar. Você imagina Vampire Survivors, coloca uns dinossauros e uns homens da caverna e pronto, você já sabe tudo que te espera.

Também não ajudou muito que na época que eu joguei Dino Survivors ele ainda se encontrava muito desbalanceado. Mesmo com toda a meta-progressão, você ainda encontrava dificuldade porque muitas armas não tinham uma real efetividade e a progressão interna dele era lenta. Não faço ideia como está hoje, se o desenvolvedor seguiu trabalhando nele ou resolveu abandoná-lo, então pode até ser que esses problemas tenham sido resolvidos. Porém, como todo survivors-like que eu já zerei, não tenho vontade de reinstalá-lo para ver.

MEGABONK

Chefão final do mapa da floresta de Megabon

Talvez esse seja o item mais próximo de polêmico na lista, pois, se não estiver enganado, Megabonk foi um dos survivors-like mais populares da atualidade. Chegou até ser indicado na categoria de Melhor Indie de Estreia no The Game Awards. Então talvez pode ser que incomode alguém que ele esteja tão baixo na lista. Felizmente eu não tenho qualquer respeito pela comunidade de survivors-like e menos ainda pelas pessoas que gostam de Megabonk.

O sucesso desse jogo não me surpreende tanto. O nicho já estava consolidado, gamer tende a achar que jogo 3D é a evolução natural dos jogos 2D e um monte de streamer ajudou a espalhar Megabonk por aí. Além disso, é um jogo feito com o público de internet em mente, tanto que ele bota um monte de memes e gírias de jovem cronicamente online. Foi desenhado para ser popular e reconheço que conseguiu o que queria.

Não achei a ideia do ambiente 3D, onde os personagens podem pular para alcançar plataformas mais altas, inovadora. Era esperado que alguém tentasse isso em algum momento. Além disso, é um jogo totalmente quebrado que dificulta tudo além da conta só para te fazer perder mais tempo nele, com partidas demorando muito mais do que deveriam. Eu só não falo que é a pior experiência que eu tive com um survivors-like porque, como podem ver, tem um último item nessa lista.

SLYDERS

Imagem do survivors-like 3D, Slyders

Para mim, Slyders não é somente um survivors-like ruim, ele é um jogo ruim. Talvez nem seja para tanto. Não descarto que minha reação a ele foi, em parte, influenciada por eu tê-lo jogado pouco tempo depois de Megabonk. Aquele foi o período em que minha opinião acerca dos survivors-like atingiu seu ponto mais baixo e eu acabei descontando tudo em Slyders. Mas também não muda o fato de que, de todos os itens dessa lista, esse é o que menos deixou qualquer impacto em mim.

O jogo tenta ser essa mescla de Serious Sam, onde você troca bala com ondas enormes de inimigos, com Vampire Survivors e teria sido melhor se ele ficasse apenas no primeiro. Se Slyder fosse apenas um arena shooter honesto, talvez ele alcançasse um patamar em que esse “vampire survivors unreal slop” o limita de atingir. Eu gosto quando desenvolvedores tentam misturar diferentes gêneros, mas aqui ficou evidente como as mecânicas de um estilo de jogo atrapalham as mecânicas do outro.

Outra coisa que me incomoda muito em Slyder é como não parece haver uma unidade criativa nesse jogo. Posso até estar sendo injusto com o desenvolvedor, mas a sensação que passa é que ele foi apenas botando modelos de personagens que ele encontrou na internet em vez de criar um universo que conversasse entre si. Os mapas, os personagens, as habilidades, tudo parece que foi escolhido através de um randomizador. Talvez funcione para alguém que quer uma ação descerebrada para se distrair, mas esse não foi o meu caso.


Como eu falei lá atrás, fiz essa lista com um tom de despedida com os survivors-like. Depois de Soulstone Survivors eu não vejo mais motivo para continuar explorando esse gênero. Não que ele seja o melhor de todos, até porque essa é uma perspectiva puramente subjetiva. É mais uma constatação de que foi necessário passar por mais dez jogos até eu achar um que superasse Vampire Survivors no meu coração. E nem foi por tanto assim.

É muito esforço, e paciência, para tão pouco resultado. Tiro muito mais proveito testando joguinhos de OpenBOR que, sendo bons ou não, consomem muito menos tempo e acabam me divertindo mais. Não descarto a possibilidade de um dia bem lá no futuro eu dar uma décima terceira chance aos survivors-like se algo chamar minha atenção. Ou se Death Must Die finalmente sair desse seu limbo de acesso antecipado.

Mas enquanto isso não acontece: até logo, até mais ver, bon voyage, arrivederci, até mais, adeus, boa viagem, vá em paz, que a porta bata onde o sol não bate, não volte mais aqui, hasta la vista, baby, escafeda-se e saia logo.


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